Alemanha: sentimento económico volta a subir de forma expressiva e atinge patamar dos 30 pontos

O Índice ZEW referente ao mês de agosto surpreendeu positivamente ao subir para 30 pontos, superando o registo anterior de 26,3 pontos. Os indicadores apontam para a recuperação das exportações e para um salto notável no consumo interno. O setor automóvel é uma das exceções.

Alemanha: sentimento económico volta a subir de forma expressiva e atinge patamar dos 30 pontos
Friedrich Merz, Chanceler da República Federal da Alemanha

O Índice ZEW, que avalia o sentimento económico da Alemanha, referente ao mês de agosto surpreendeu positivamente o mercado ao subir para 30 pontos, superando o registo anterior de 26,3 pontos. O índice subiu 15,8 pontos para 26,3 em julho de 2026, após um salto de 20,7 pontos em junho, superando confortavelmente as expectativas do mercado, que apontavam para um crescimento de 18 pontos. A leitura marca o nível mais alto desde fevereiro, medido antes que o conflito no Oriente Médio pesasse sobre a confiança global. O indicador sugere que o pacote de reformas da Alemanha está a começar a influenciar positivamente as perspetivas económicas germânicas.

A melhoria foi impulsionada por expectativas mais fortes para as indústrias orientadas para as exportações e uma procura interna em crescimento, embora o conflito no Irão e os preços elevados do petróleo permaneçam riscos-chave para a recuperação, refere a análise do Zentrum für Europäische Wirtschaftsforschung (Centro de Pesquisa Económica Europeia).

A maioria dos setores registou ganhos em julho, liderados pela engenharia mecânica (mais 14,5 pontos) e pelo consumo privado (14,7 pontos). O setor da construção também melhorou em 12,7 pontos, aproximando-se de território neutro e fugindo de um crescimento negativo. As indústrias química, farmacêutica e metalúrgica permaneceram em território negativo, apenas com ganhos modestos, enquanto o setor automóvel enfraqueceu acentuadamente, com uma queda de 11,3 pontos para menos 46,6.

O Índice ZEW a seis meses analisa previsões para inflação, taxas de juro, mercado acionista e cambial e baseia-se num inquérito mensal a cerca de 350 analistas e especialistas institucionais. Serve também, tradicionalmente, como principal indicador avançado da atividade económica do bloco europeu.

O principal motor do otimismo dos investidores foi a apresentação de um pacote de medidas económicas suportado por diversas alíneas. Desde logo um alívio fiscal de 10 mil milhões de euros, através da redução direta de impostos direcionada para escalões de rendimento mais baixos, injetando liquidez imediata no mercado interno – com impacto no consumo. A proposta de reforma do sistema de pensões foi igualmente importante, e inclui o aumento da idade de reforma para garantir sustentabilidade orçamental a longo prazo. A flexibilização laboral foi, por outro lado, reforçada, para incentivar a contratação.

Refira-se ainda que, segundo os dados disponíveis mais recentes, as encomendas à indústria registaram uma subida inesperada de 3,1% na viragem para o segundo semestre.

Do lado negativo, e para além dos impactos da guerra no Médio Oriente – nomeadamente nos preços do petróleo – os analistas chamam a atenção para o facto de as ondas de calor sucessivas e a seca severa que afetam o comércio de mercadorias pelos rios alemães terem potencial para destruírem até 0,5% do PIB alemão.

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