Adoção da IA generativa dispara para 75% do total global de empresas

É uma das conclusões de um estudo da IDC, que considerou uma amostra de mais de quanto mil líderes empresariais e decisores na área de IA em todo o mundo, Portugal incluído.

Adoção da IA generativa dispara para 75% do total global de empresas
FILE PHOTO: AI Artificial Intelligence words are seen in this illustration taken, May 4, 2023. REUTERS/Dado Ruvic/Illustration

O número de empresas a nível mundial a utilizar soluções de Inteligência Artificial (IA) generativa cresceu para 75% do total em 2024, em comparação com a percentagem de 55% registada no ano passado. Esta é uma das principais conclusões do estudo do IDC ‘The Business Opportunity of AI’, encomendado pela Microsoft, que tem como objetivo identificar as principais tendências na implementação da IA pelas empresas.

De acordo com os líderes empresariais e decisores na área da IA auscultados para este trabalho, a utilização da Inteligência Artificial no contexto das organizações tem demonstrado ser um fator-chave para o crescimento dos negócios em todos os setores de atividade. Prova disso é o facto de, segundo o estudo, tanto a nível mundial como na Europa Ocidental cada dólar investido por uma empresa em IA generativa resultar num retorno de 3.7 dólares – número este que pode atingir os 10.3 dólares de retorno por cada dólar investido no caso das empresas com maior maturidade na utilização desta tecnologia.

Ao mesmo tempo, o estudo releva que são o setor financeiro, seguido pelos media e telecomunicações, mobilidade, retalho e consumo, energia, indústria, saúde e educação aqueles que, tipicamente, estão a obter um maior retorno de investimento (ROI). Outra das conclusões apresentadas demonstra que, em 2024, os processos de implementação de soluções de IA demoraram, em média, oito meses, após os quais as empresas têm levado até 13 meses para obter valor-acrescentado da adoção desta tecnologia.

E é justamente na adoção de soluções de IA que o novo paper do IDC aponta uma tendência para o futuro a curto-prazo. Nos próximos 24 meses, estima-se que a maioria das organizações pretenda imergir mais no universo da IA, deixando para trás a adoção de soluções de IA pré-concebidas para apostar em ferramentas personalizadas e adaptadas ao contexto de cada empresa.

“Estamos num ponto de viragem no desenvolvimento de agentes autónomos e a iniciar uma jornada de evolução onde passamos de utilizar apenas assistentes e copilotos padrão – que apoiam a obtenção de conhecimento e a geração de conteúdo – para agentes de IA personalizados e capazes de executar workflows complexos e variadas etapas num mundo digital,” afirma Ritu Jyoti, Vice-Presidente e Diretora-Geral na área de Worldwide AI, Automation, Data and Analytics Research da IDC. “Com o uso responsável da tecnologia e a transformação do ambiente de trabalho, prevemos que o investimento empresarial na adoção de IA terá um impacto económico global cumulativo de 19,9 biliões de dólares até 2030, impulsionando 3,5% do PIB global em 2030.”

Neste contexto, o estudo revela ainda que é a produtividade continua a ser o principal outcome identificado pelas empresas na utilização de soluções de IA para 33% dos inquiridos (na região da Europa Ocidental, esta percentagem chega aos 36%). O trabalho mostra mesmo que 92% dos utilizadores de IA inquiridos estão a utilizar IA com o propósito de alcançar uma maior produtividade, e que 43% afirmam que os use cases de produtividade proporcionaram o maior ROI. Embora este seja um objetivo central para as organizações, o trabalho de investigação do IDC destaca que esta tecnologia tem sido também aplicada nos contextos de relação com o cliente, crescimento de receitas, gestão de custos e inovação de produtos e serviços – nos quais quase metade das empresas inquiridas espera que a IA tenha um elevado grau de impacto.

No entanto, e apesar da evidente expansão da IA nos negócios, o novo relatório clarifica que a principal barreira à implementação da Inteligência Artificial nas organizações é a falta de competências técnicas e de utilização diária da IA junto dos colaboradores. Segundo indicam os líderes inquiridos, 30% das empresas registam falta de competências internas especializadas em IA, enquanto 26% mostram não ter colaboradores com as competências necessárias para aprender e trabalhar com IA. Um cenário que já tinha sido identificado pela Microsoft num outro estudo – o Work Trend Index – onde se conclui que 55% dos líderes empresariais estão preocupados em ter talento qualificado suficiente para preencher funções onde a utilização da IA será fundamental.

É nessa medida que a Microsoft tem vindo a trabalhar no sentido de capacitar os trabalhadores em todo o mundo com os conhecimentos e competências necessárias para utilizar soluções de IA. A nível local, têm sido vários os projetos em que a tecnológica tem trabalhado no sentido de responder à sua meta de qualificar 100 milhões de pessoas, globalmente, em competências digitais. Desde logo a mais recente AI Innovation Factory, entro de inovação em IA em colaboração com a Accenture, a Avanade e a Unicorn Factory Lisboa, e que tem como objetivo acelerar a adoção da IA por empresas públicas e privadas de todos os setores. Outros exemplos assentam em projetos como a AI Skills 4 All (em parceria com a Founderz) e a PS AI Skilling Academy (Rumos), ambos formações com o propósito de gerar maior conhecimento nesta tecnologia.

Para além do skilling, as dimensões de segurança de dados e governance de dados continuam a ser preocupações para 41% das empresas a nível mundial, uma realidade acompanhada no contexto da Europa Ocidental, onde 40% dos inquiridos se mostra preocupado com a governance de dados, e 38% com a segurança de dados e compliance com o cenário regulatório.

Relacionado

Estudo da CGI diz que aceleração tecnológica e digital é a macrotendência com maior impacto para gestores mundiais

Estudo da CGI diz que aceleração tecnológica e digital é a macrotendência com maior impacto para gestores mundiais

Maria Teixeira Alves2 Set
O relatório global, divulgado esta quarta-feira, 2 de setembro, baseia-se em entrevistas independentes a mais de 1.800 executivos das áreas de negócio e tecnológica — a maioria em cargos de direção —, identificando uma clara viragem do mercado rumo à engenharia e reengenharia digital para viabilizar e expandir o uso da IA.
PwC prevê que capex de infraestruturas de IA atinja os 31,6 biliões até 2050

PwC prevê que capex de infraestruturas de IA atinja os 31,6 biliões até 2050

Ruben Pires2 Set
Os Estados Unidos absorvem 48% do total das despesas de investimento (capex) ligadas a infraestruturas de IA, o equivalente a 15,1 biliões de dólares (13 biliões de euros), estima a consultora PwC. O relatório prevê que anualmente o investimento em infraestruturas de centros de dados passe de cerca de 800 mil milhões de dólares (690,8 mil milhões de euros) em 2026 para 1,8 biliões de dólares (1,5 biliões de euros) em 2050.
Irão: Choque energético “ainda não terminou” e IA aumenta procura por energia, diz FMI

Irão: Choque energético “ainda não terminou” e IA aumenta procura por energia, diz FMI

"O estreito de Ormuz continua, em grande parte, fechado, as reservas estratégicas de petróleo e gás terão de ser repostas, a IA aumenta a procura de energia e o inverno aproxima-se no hemisfério norte", afirmou Kristalina Georgieva, na terça-feira 1 de setembro, no final da reunião dos ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais do G20 em Asheville, no estado norte-americano da Carolina do Norte.