Acordo UE-Mercosul: assinatura no Paraguai sela negociações de um quarto de século

O acordo que cria a maior área de livre comércio do mundo, abrangendo 700 milhões de pessoas, é assinado este sábado, 17. Prevê o fim progressivo de 91% das tarifas do Mercosul sobre produtos europeus e de 92% das tarifas da UE sobre importações sul-americanas.

Acordo UE-Mercosul: assinatura no Paraguai sela negociações de um quarto de século
mercosul europa

União Europeia (UE) e países do Mercosul assinam este sábado, 16 de janeiro, em Assunção, no Paraguai, o acordo de livre comércio que estabelece um novo quadro nas relações económicas, políticas e de cooperação entre as duas regiões do globo.

O acordo criará a maior zona de comércio livre do mundo prevendo o fim progressivo de 91% das tarifas do Mercosul sobre produtos europeus e de 92% das tarifas da UE sobre importações sul-americanas.

O acordo abrirá um mercado conjunto de mais de 700 milhões de consumidores e que, juntos, representam um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente 22 biliões de dólares (19 biliões de euros), segundo dados da Comissão Europeia.

O acordo UE-Mercosul  inclui também um acordo de parceria e cooperação política que visa fortalecer a colaboração em matéria de mudanças climáticas, transição digital e autonomia estratégica, num contexto de tensões geopolíticas e de procura de alternativas à Rússia e China.

Após a assinatura deste sábado, o acordo, que levou mais de um quarto de século a negociar, tem de ser ratificado por cada um dos 27 países da União Europeia, mas conta com resistências em países como França, Hungria, Polónia, Irlanda e Áustria e Bélgica, onde é visto pelos agricultores como uma ameaça ao status quo.

Em Assunção assinam o documento pelo lado europeu, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e o Comissário para o Comércio, Maros Sefcovic. A contraparte latino-americana está representada pelos presidentes do Paraguai, Santiago Peña, do Uruguai, Yamandú Orsi e da Argentina, Javier Milei.

O próximo passa do acordo é o Parlamento Europeu que ou o aprova ou rejeita na totalidade, não podendo introduzir alterações. Na próxima semana sobem a plenário duas resoluções, patrocinadas pela extrema-direita e pela esquerda radical, ambas no sentido de que o acordo seja levado ao Tribunal de Justiça da UE (TJUE) .

A CIP – Confederação Empresarial de Portugal saúda em comunicado a assinatura do acordo comercial União Europeia – Mercosul.

Relacionado

Pão vai subir em outubro

Pão vai subir em outubro

Teresa Cotrim31 Ago
A guerra no Mar Negro, a seca na Europa e um aumento de 37% no preço internacional do trigo estão a criar a combinação perfeita para encarecer a alimentação em Portugal. "É expectável que haja ajustes no preço do pão a partir de outubro", avança ao JE Deborah Barbosa, presidente da ACIP. O pão deverá ser o primeiro produto a sentir a pressão, mas as repercussões podem chegar mais tarde às massas, à carne, ao leite e aos ovos.
Von der Leyen quer virar o jogo económico da Europa: menos burocracia, mais indústria e capital europeu

Von der Leyen quer virar o jogo económico da Europa: menos burocracia, mais indústria e capital europeu

Teresa Cotrim29 Ago
A Europa já não pode contar com as antigas vantagens que sustentaram o seu modelo económico. Perante energia cara, concorrência chinesa e falta de investimento, Ursula von der Leyen defende uma mudança de rumo: simplificar as regras, mobilizar o capital europeu e reforçar a indústria. A presidente da Comissão apresentou esta estratégia num discurso em Paris, a 27 de agosto.