Qual vai ser a substância da cimeira?
Agendada para hoje – depois de ter sido adiada há umas semanas por causa do mau tempo no Japão – o tema de maior relevo é a assinatura de acordo de comércio livre com o objetivo de estreitar as relações e impulsionar as economias envolvidas.
O que diz de concreto o acordo?
Permitirá a liberalização de 94% das exportações da União Europeia para o Japão, que geram anualmente cerca de 86 mil milhões de euros e que asseguram 600 mil empregos, segundo dados da Comissão Europeia. O Japão é o segundo maior parceiro comercial da União Europeia, logo a seguir à China. Mas ainda falta um acordo sobre um mecanismo de resolução de disputas entre os Estados envolvidos e os investidores.
É a primeira vez que as duas partes assinam um acordo?
Longe disso. As duas geografias mantêm relações comerciais antigas.
O acordo tem a ver com as decisões de Donald Trump, presidente norte-americano, sobre questões de comércio internacional?
Não. O acordo comercial de largo espetro que vai ser assinado esta terça-feira vem sendo burilado ao longo do último ano. Na cimeira de há um ano – a 6 de julho em Bruxelas – as duas partes acordaram numa parceria estratégica “para demonstrar a nossa determinação em trabalhar juntos pela paz, pela prosperidade e por uma ordem internacional baseada em regras. Continuamos unidos pelos nossos valores comuns de democracia e Estado de direito e pela nossa determinação em promover juntos uma economia global aberta e justa que beneficie a todos”, lia-se no comunicado conjunto então assinado. Os pressupostos do acordo estavam genericamente fechados desde dezembro passado.
Mas os tempos mudaram.
Daí a pertinência do acordo. Que foi antecedido, esta segunda-feira, de um encontro entre o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, Jean-Claude Juncker e Donald Tusk, cuja agenda era em tudo semelhante ao encontro de hoje. O que quer dizer que o mundo está a mover-se no sentido de tornar o protecionismo norte-americano num fenómeno o mais possível inofensivo para a economia mundial.
A União Europeia foi esclarecedora sobre a matéria?
Foi. Ao contrário da forma como atua face a alguns dossiês igualmente difíceis, esta questão tem sido abordada de maneira frontal. “Dado este movimento protecionista, o Japão e a União Europeia trabalharão juntos para avançarem com passos firmes no comércio livre e justo”, disse o porta-voz do governo japonês, Yoshihide Suga, há poucos dias, numa declaração com a concordância de Bruxelas. Juncker, Tusk e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, estão alinhados nesta matéria.