20º Congresso do PC Chinês consolidará poder de Xi Jinping

O homem que o Ocidente tarda em compreender verá o seu poder reforçado, na esteira do que fez há cinco anos. Mas os tempos são muito diferentes: o parêntesis na globalização não podia ser pior para a China.

20º Congresso do PC Chinês consolidará poder de Xi Jinping
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Cinco anos depois de Xi Jinping ter consolidado o seu poder, o 20º Congresso do Partido Comunista Chinês servirá para uma dose extra do mesmo, mas num cenário muito diferente: a economia do país está a passar pelo mesmo horror que todas as outras, mas principalmente a guerra na Ucrânia coloca todo o edifício pensado há muito, a Belt and Road Initiative (Rota da Seda), num impasse.

E se a reserva dos Estados Unidos em aceitar aquilo que percebeu que seria o fim da sua liderança da economia mundial já não ajudava, o fim, ou talvez o parêntesis, da globalização (patrocinada pela guerra) é um revés exógeno que Xi Jinping não conseguiu antecipar. É por isso com forte expectativa que o mundo espera a intervenção do presidente chinês: irá ou não insistir – como fez em Samarcanda no mês passado – em colocar reservas à Rússia? Ninguém o consegue antecipar – até porque os trabalhos do partido em congresso costumam ser em larga escala para consumo interno. A reunião, que se realiza a cada cinco anos, serve sobretudo para reorganizar o Comité Central do Partido, o Politburo e o Comité Permanente do Politburo.

O PCC, que tem cerca de 93 milhões de membros – o que parece muito mas não é: serão uns 7,5% da população, num país de partido único – é liderado pelo Politburo, composto por 25 pessoas – oficiais do Exército, líderes de província e altos quadros do Partido, mas é Comité Permanente do Politburo, composto por sete membros que comanda os destino do partido. Que evidentemente se confundem com os destinos dos cerca de 1,4 mil milhões de pessoas que vivem na China – numa comunhão que, dizem os analistas, escapa à compreensão do comum dos mortais ocidentais.

 

A crise

O crescimento económico projetado para a China este ano é o mais baixo dos últimos anos, excluindo 2020, ano de pandemia, e esta é a primeira vez desde 1990 que a segunda maior economia mundial cresce abaixo dos seus concorrentes regionais. O Banco Mundial antevê um crescimento de apenas 2,8%, o que compara com os 5,3% esperados para a região da Ásia Oriental e Pacífico. O FMI é mais otimista: 3,2%. Os dois valores estão longe dos 5,5% que o próprio PC Chinês antevia no início do ano e que não serve os propósitos de Xi Jinping.

Para além dos elementos exógenos que estão por trás do contexto, a chamada política Covid Zero teve consequências muito sérias para a economia – não só do ponto de vista das exportações como do consumo interno. O país espera para perceber o que acontecerá a seguir.

Seja como for, dizem os analistas, se alguém consegue insuflar uma vida nova ao país, esse alguém é Xi Jinping: desde que assumiu a liderança da China, em 2012, Xi Jinping tornou-se o centro da política chinesa – e de algum modo preencheu o lugar de Mao Tsé-tung no imaginário da população, principalmente daquela que já não o pôde conhecer em vida – morreu em 1976. Daí alguns analistas lembrarem que a Constituição da China foi alterada pela Assembleia Nacional Popular para permitir que o líder cumprisse três ou mais mandatos como chefe de Estado. Isto é, nada indica que os próximos cinco anos sejam os últimos do postulado de Xi Jinping. No final, valerá a pena perceber-se quantos presidentes norte-americanos lhe ‘passaram pelas mãos’.

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