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A passagem da refinaria de Sines para uma sociedade controlada maioritariamente pelos espanhóis da Moeve está a ser fortemente criticada pela Comissão de Trabalhadores (CCT) da Galp.

“A posição da CCT mantém-se inequívoca: o negócio Galp/Moeve coloca em causa a soberania energética nacional, a continuidade da Refinaria de Sines e os postos de trabalho de quem nela trabalha”, segundo comunicado divulgado esta quarta-feira, dia em que a ministra Maria da Graça Carvalho vai ao Parlamento responder a questões dos deputados sobre esta operação.

A Biovance Capital liderou uma ronda de financiamento Série A de 11 milhões de euros na empresa biotecnológica espanhola Vaxdyn, na qual investiu quatro milhões de euros, anunciou a sociedade de capital de risco portuguesa.

A operação contou também com a participação do fundo do Conselho Europeu de Inovação (EIC) e do fundo Impacto Andalucía Innovación y Desarrollo, gerido pela Arcano Partners.

O financiamento permitirá à empresa avançar para a avaliação clínica da sua vacina mais avançada, a K-VAX, através de um ensaio de Fase 1 destinado a avaliar a sua utilização na prevenção de infeções provocadas por “Klebsiella pneumoniae” e “Acinetobacter baumannii”.

“Estamos muito satisfeitos por apoiar a Vaxdyn no desenvolvimento da K-VAX rumo à clínica, uma potencial nova vacina que poderá salvar vidas em todo o mundo. Este é o terceiro investimento do fundo Biovance Capital Fund I e o segundo investimento que fazemos no Sul da Europa, refletindo a nossa aposta nesta região dado o elevado potencial do seu sector de biotecnologia”, afirmou Ricardo Perdigão Henriques, PhD, Managing Partner da Biovance Capital.

A ronda será complementada por subsídios do EIC Accelerator e da CARB-X, organização internacional que, segundo a empresa, dispõe de 800 milhões de dólares para apoiar o desenvolvimento de antibacterianos.

Com sede em Sevilha, a Vaxdyn desenvolve vacinas destinadas a combater bactérias resistentes a antibióticos, “incluindo Acinetobacter baumannii, Klebsiella pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli”, recorrendo a uma plataforma tecnológica proprietária.

A resistência antimicrobiana constitui uma das principais ameaças de saúde pública associadas à utilização de antibióticos. Segundo os dados divulgados pela Vaxdyn, as bactérias resistentes a antibióticos provocam cerca de 541 mil mortes anuais na Europa e 204 mil nos Estados Unidos, num total de cerca de cinco milhões de mortes por ano em todo o mundo. Sem intervenção eficaz, esse número poderá chegar aos 10 milhões de mortes anuais em 2050.

«E isto, num momento em que a situação internacional torna ainda mais evidente o valor estratégico das refinarias, alienar o controlo da Refinaria de Sines é um erro que não se corrige com fundos soberanos sem regras»

Maria da Graça Carvalho, Ministra do Ambiente e Energia.

“Este financiamento representa um passo decisivo no crescimento da Vaxdyn, permitindo-nos validar clinicamente a nossa plataforma de vacinas para combater a resistência antimicrobiana”, afirmou o presidente executivo da Vaxdyn, Juanjo Infante, citado no comunicado.

Para a Biovance Capital, este é o terceiro investimento do Biovance Capital Fund I e o segundo realizado no Sul da Europa, segundo Ricardo Perdigão Henriques, Managing Partner da sociedade.

1,2 milhões

Mais de 1,2 milhões de pessoas foram impactadas pela iniciativa em apenas um ano, reforçando o alcance da ação em todo o país.

56.049€

Mais de 1,2 milhões de pessoas foram impactadas pela iniciativa em apenas um ano, reforçando o alcance da ação em todo o país.

“A resistência antimicrobiana é um dos desafios de saúde global mais prementes do nosso tempo, e é por isso que apoiamos, com grande expectativa, o desenvolvimento clínico da K-VAX, que tem o potencial de proteger contra bactérias potencialmente fatais, incluindo as associadas à pneumonia grave resistente aos antibióticos, às infeções do trato urinário e da corrente sanguínea, entre outras”, afirmou André Albergaria, PhD, Principal na Biovance Capital.

A Biovance Capital gere um fundo de 60 milhões de euros dedicado a investimentos em empresas de biotecnologia em fase inicial em Portugal e na Europa, com particular enfoque no Sul da Europa. O fundo conta, entre outros, com o apoio do Fundo Europeu de Investimento, da Comissão Europeia, através dos programas Portugal Tech e InvestEU, do Banco Português de Fomento e da farmacêutica BIAL.

A Biovance Capital gere um fundo de 60 milhões de euros dedicado a investimentos em empresas de biotecnologia em fase inicial em Portugal e na Europa, com particular enfoque no Sul da Europa. O fundo conta, entre outros, com o apoio do Fundo Europeu de Investimento, da Comissão Europeia, através dos programas Portugal Tech e InvestEU, do Banco Português de Fomento e da farmacêutica BIAL.

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As férias são, muitas vezes, sinónimo de gastos extra, situação que para muitas famílias se agrava com as despesas do regresso às aulas dos filhos.

O equilíbrio das finanças pessoais, neste período, pode ficar abalado e o recurso aos cartões de crédito para suportar despesas extra é frequentemente a saída para evitar rutura financeira.

Para muitos consumidores sobra mês ao salário e a solução vai sendo adiada com o acumular de dívida. Se for este o seu caso, não deixe arrastar a situação e procure livrar-se das dívidas rapidamente. É, pois, tempo de agir!

Esta poderá ser uma oportunidade para uma mudança na sua vida financeira, aproveitando para se organizar e planear. O tempo pode jogar a seu favor se aproveitar essas oportunidades e se tiver uma atuação positiva e focada em soluções concretizáveis.

Deixamos aqui cinco dicas que o podem ajudar a tornar esse caminho mais fácil:

1. Faça um “Check-up” financeiro para perceber a situação m que se encontra. Conhecer o ponto de partida é fundamental para definir os passos a dar;

2. Defina objetivos a alcançar, quantificados e o tempo necessário para os atingir;

3. Trace uma estratégia que lhe permita alcançar os objetivos definidos e elabore um Plano Financeiro de ação;

4. Faça um Orçamento, identificando onde gasta o dinheiro. Muitos pequenos, e aparentemente “insignificantes”, gastos podem fazer a diferença no orçamento e nem nos apercebemos deles.

5. Mobilize a família para a mudança de hábitos. Promova soluções criativas para reduzir gastos e aumentar o rendimento familiar.

Como está a saúde das suas finanças pessoais?

A primeira prioridade será livrar-se das dívidas e evitar pagar juros.

Dado esse passo, será tempo de criar um Fundo de Emergência para fazer face a eventuais emergências que possam ocorrer no futuro e depois então promover a poupança para investimento e fazer crescer o seu dinheiro.

Finalmente, lembre-se de que pode promover a sua saúde financeira, investindo no conhecimento e literacia que o ajudarão, certamente, a melhorar competências, para uma gestão mais eficaz das suas finanças pessoais.

Informe-se connosco!

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As yields da dívida soberana de longo prazo têm vindo a subir de forma sincronizada nas principais economias desenvolvidas, com os Estados Unidos, o Japão e vários países europeus a registarem níveis não vistos em décadas. O fenómeno, que já mereceu destaque de primeira página no Financial Times, tem levantado receios de instabilidade financeira global, mas os economistas ouvidos pelo Jornal Económico consideram pouco provável que a tendência desemboque numa crise, apontando antes para efeitos mais concentrados no investimento empresarial e nas contas públicas de cada país.

João Moreira Rato: procura ligada à IA e a Fed menos disponível para monetizar dívida

Para João Moreira Rato, ex-presidente do IGCP, esta subida das taxas de longo prazo no mundo ocidental reflete, por um lado, preocupações com o rumo da política orçamental dos principais países e, por outro, uma procura crescente de financiamento associada a infraestruturas ligadas à Inteligência Artificial, como os centros de dados.

“A atual subida das taxas de juro de longo prazo no mundo ocidental reflete preocupações profundas com a sustentabilidade da política orçamental, sendo simultaneamente impulsionada por uma forte procura de financiamento para infraestruturas tecnológicas, nomeadamente os data centers associados à Inteligência Artificial”

O economista aponta ainda para uma menor disponibilidade da Reserva Federal para monetizar essa dívida, num contexto de nomeação de um novo governador mais monetarista, referindo-se a Kevin Warsh.

Nesse quadro, João Moreira Rato considera que as intervenções do Tesouro norte-americano — nomeadamente através do programa de recompra de dívida — tendem a ter apenas efeitos temporários no mercado, dada a força das tendências estruturais em curso.

Recorde-se que o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciou a duplicação do programa de recompra de títulos de longo prazo para pelo menos 4 mil milhões de dólares por operação, numa tentativa direta de injetar liquidez e conter a escalada histórica das yields das Treasuries de 10 a 30 anos. Esta medida coincide precisamente com o momento em que a dívida pública total dos Estados Unidos ultrapassou a marca histórica de 40 triliões de dólares

Por enquanto, o economista que liderou o IGCP (Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública) entre 2012 e 2014 – período crucial em que coordenou a estratégia de regresso de Portugal aos mercados internacionais de dívida após a intervenção do programa de resgate da troika – diz que esta subida das yields a nível global não está a ter grande impacto em Portugal.

Cristina Casalinho: fundamentais sólidos afastam cenário de crise

Também ex-presidente do IGCP, Cristina Casalinho considera pouco provável que a subida das yields desencadeie uma crise financeira global, defendendo que os fundamentais das empresas se mantêm sólidos tanto na Europa como nos Estados Unidos.

“Se nós olharmos para o lado empresarial, […] vemos que a capacidade de geração de resultados das empresas continua muito forte, quer na Europa, quer nos Estados Unidos”

A economista identifica um primeiro fator estrutural para justificar a subida das yields: o nível elevado da dívida pública norte-americana, associado a dúvidas sobre a capacidade do mercado para a absorver, numa altura em que compradores tradicionais — nomeadamente a China e, mais recentemente, o Japão — têm reduzido as suas aquisições. Recorda, aliás, que a situação japonesa motivou uma intervenção concertada entre Washington e Tóquio para evitar uma venda acrescida de dívida pública americana pela autoridade nipónica.

No final de julho, os Estados Unidos venderam euros das suas reservas cambiais para comprar ienes. Esta operação — a primeira intervenção conjunta destinada a valorizar a moeda japonesa desde 1998 — ocorreu depois de o iene ter atingido mínimos de 40 anos face ao dólar, aproximando-se da fasquia dos 164 ienes por dólar. Tratou-se de uma rara intervenção cambial conjunta em julho para sustentar o iene, mas a moeda voltou a enfraquecer, caindo novamente abaixo dos 160 ienes por dólar.

Para Cristina Casalinho este fenómeno estrutural [a dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou, pela primeira vez na sua história, os 40 biliões de dólares (34,2 biliões de euros), segundo dados divulgados pelo Departamento do Tesouro] tende, na sua leitura, a manter as taxas norte-americanas em níveis relativamente altos, contagiando os mercados europeus de forma mais contida, dado o mercado europeu ser mais fragmentado e ter uma base de compradores domésticos mais significativa.

“A dívida pública americana está hoje em dia a atingir níveis muito elevados, com algum retrocesso, algum entrincheiramento de compradores tradicionais […] estrangeiros”

Já quanto à inflação, Cristina Casalinho considera-a um fenómeno mais conjuntural do que estrutural: apesar de os indicadores mais recentes apontarem para uma inflação ainda elevada nos EUA, nota uma evolução mais favorável da inflação subjacente, à medida que o efeito das tarifas alfandegárias vai saindo do cálculo homólogo. Sublinha ainda que o mercado de trabalho e as expectativas de inflação se mantêm relativamente ancorados, com a espiral preços-salários muito mais contida do que no passado, pelo que os efeitos de contágio dos preços da energia deverão ser temporários, à semelhança do que sucedeu em 2022.

“Todo o fenómeno de espiral de preços-salários hoje em dia está muito mais contida do que no passado”

Questionada sobre a resposta das autoridades monetárias, a economista prevê pelo menos mais uma subida de taxas na Europa até ao final do ano, notando que também a Fed já sinalizou a possibilidade de novos aumentos — embora considere que a subida das taxas longas já em curso reduz a urgência de novas subidas por parte dos bancos centrais.

“Em Portugal a evolução das taxas diretoras é mais importante que o andamento das taxas de longo prazo, porque a maior parte dos empréstimos são indexados a taxas de curto prazo”, explicou.

Comparando com o ciclo de normalização de 2022-2023, quando as taxas diretoras partiram de valores negativos, Cristina Casalinho considera que o espaço para novas subidas é hoje menor, com as taxas do BCE atualmente a cerca de metade do máximo de 4% atingido nesse período. “Não estamos à espera que este aumento seja tão significativo quanto aquele que foi no passado”, disse.

“Continuamos a não assistir a spreads, como indicador da avaliação de risco de crédito, estranhos, ou que tenham subido. Portanto, não há uma degradação da capacidade creditícia da economia, de um modo geral. E mesmo na Europa não vi os spreads alargarem dentro do espaço europeu”, disse.

Para afastar o cenário de crise, a economista aponta a robustez da economia real, sobretudo ao nível empresarial: as empresas mantêm boa capacidade de geração de cash flow e liquidez, e o aumento do endividamento concentra-se sobretudo em empresas com grandes planos de investimento ou do setor tecnológico.

“Na economia real, as empresas estão sólidas, têm boa capacidade de geração de cash flow. Portanto, o que nós vemos é que há liquidez nas empresas, quer na Europa, quer nos Estados Unidos, e que se olharmos, por exemplo, para a avaliação de risco de  crédito, os spreads continuam bastante estáveis”.

Destaca assim a estabilidade dos spreads de crédito, nomeadamente entre Portugal e países como a França, o que é um sinal de que não há degradação da qualidade creditícia geral da economia.

“O mercado na parte do crédito está bastante sólido e bem ancorado”, disse.

João Duque: o maior impacto está no investimento empresarial, não nas contas públicas

Por sua vez, João Duque, professor catedrático do ISEG, começa por distinguir dois tipos de intervenção dos bancos centrais: o controlo direto das taxas de curto prazo e a intervenção nos mercados de longo prazo através da recompra de obrigações. Tanto o Banco Central do Japão como o BCE têm vindo a reduzir as compras de dívida de longo prazo que fizeram no passado — no caso europeu, sobretudo depois da crise da dívida soberana —, o que obriga os Estados “a pagar mais para atrair os compradores e estimular a procura” na renovação da dívida, pressionando as yields em alta.

“A subida da inflação é inevitável porque as taxas de inflação continuam de facto a subir”

Quanto às taxas de curto prazo, João Duque nota que os bancos centrais continuam a acompanhar uma inflação “muito longe” da meta dos 2%, considerando inevitável a subida, já que “as taxas de inflação continuam de facto a subir”.

Por outro lado, considera normal um diferencial de cerca de dois pontos percentuais entre curto e longo prazo, mas alerta que, quando as taxas curtas sobem, a curva tende a acompanhar em paralelo, empurrando também o longo prazo.

Para o economista, o efeito mais relevante da subida das yields recai sobre as empresas: com o custo do dinheiro mais elevado — a dívida de empresas, mesmo as de boa qualidade, pode chegar aos 5%-6% —, reduzem-se as oportunidades de investimento, já que “só se pode implementar projetos que rendam muito mais do que isso”. É este o canal, segundo João Duque, com maior impacto no desenvolvimento económico do país, mais do que o efeito direto sobre as contas públicas.

Quanto às famílias, João Duque assinala que os salários não acompanham a inflação ao longo do ano — ao contrário dos preços, que sobem de imediato —, criando um aperto no poder de compra: “o salário fica congelado durante o seu ano e a inflação pressiona-nos a carteira”. Refere casos pontuais de empresas que pagaram prémios extraordinários em anos de bons resultados, mas sublinha que isso não é generalizado.

Sobre o Estado português, o economista mostra-se relativamente tranquilo. Nota que o peso da dívida no PIB tem vindo a reduzir-se e que o Estado beneficia da inflação, que classifica como “um imposto sobre o consumo”. Destaca ainda que as reduções de IRS implementadas desde o governo de António Costa — cerca de 1.100 milhões de euros, aos quais o executivo de Luís Montenegro acrescentou mais 300 milhões — deram às famílias portuguesas uma almofada que tem sustentado a poupança e o consumo, com benefício indireto para a receita fiscal.

Quanto à renovação da dívida pública em Portugal, João Duque explica que apenas uma fração marginal do stock é renovada todos os anos — cerca de 15 mil milhões de euros de um total de 170 mil milhões em obrigações do Tesouro, ou seja, entre 8% e 10%. Com base nos cupões da dívida a vencer, estima um custo médio atual de cerca de 2,25%; se a renovação ocorrer a 3,5%, o custo adicional seria de 225 milhões de euros por ano, valor que classifica como manejável face à dimensão do orçamento do Estado: “1% é dinheiro, são 225 milhões ao ano. Mas não é um drama”.

João Duque resume que o impacto da subida das yields tende a ser mais significativo na atividade empresarial e no investimento do que nas contas públicas portuguesas propriamente ditas, dado o perfil de financiamento do Estado e a resiliência da receita fiscal ligada ao consumo.

Um movimento global, com a pressão a deslocar-se agora para a Europa

Nos Estados Unidos, a yield da Treasury a 30 anos chegou a tocar os 5,3% no início de setembro, um nível não visto desde 2007, com a dívida pública a superar os 40 biliões de dólares; nos últimos leilões do Tesouro, tanto a 10 como a 30 anos, os juros pagos foram os mais altos desde o início do século.

No Japão, a obrigação a 10 anos ultrapassou pela primeira vez em três décadas a fasquia dos 3% — precisamente o valor que o Governo japonês assumiu como referência para calcular o custo do serviço da dívida no orçamento deste ano —, enquanto a yield a 30 anos se aproximou de um máximo histórico acima de 4%.

Na Europa, o movimento tem-se intensificado nos últimos dias: a Bund alemã a 10 anos superou os 3,36%, o nível mais alto desde 2011, com a obrigação germânica a 30 anos a disparar acima de 3,8%. Em França, a yield a 10 anos subiu para máximos desde 2008 (acima de 4,2%) e a de 30 anos aproximou-se dos 4,85%, o valor mais elevado desde 2008, com o mercado a penalizar Paris pelas dúvidas sobre a sustentabilidade das contas públicas francesas — que chegaram a colocar a yield gaulesa a 10 anos acima da italiana durante boa parte do verão. Itália e Países Baixos registaram igualmente máximos plurianuais.

Em Portugal, a yield a 10 anos fechou a semana passada acima de 3,7%, o valor mais elevado desde outubro de 2023, com o prémio de risco face à Alemanha a manter-se contido, próximo dos 40 pontos base.

Segundo uma análise do Bank of America citada pela imprensa espanhola, parte significativa desta subida das taxas longas europeias tem origem direta do outro lado do Atlântico: o banco norte-americano estima que a Bund alemã a 30 anos incorporou cerca de 25 pontos base “importados” do prémio de prazo da dívida norte-americana, com França e Reino Unido a importarem ainda mais — cerca de 39 e 36 pontos base, respetivamente —, alertando para o risco de um novo acentuar da curva europeia em setembro, mês que traz tradicionalmente um aumento sazonal das emissões de dívida pública na região.

A inflação na Zona Euro acelerou entretanto para 3,3% em agosto, o valor mais alto desde 2023, alimentada pela subida dos preços da energia associada ao conflito no Médio Oriente, o que reforçou as apostas numa nova subida de taxas do Banco Central Europeu já este mês.

Esta quarta-feira, a dinâmica pareceu confirmar essa deslocação da pressão para o Velho Continente: enquanto a dívida norte-americana a 10 anos aliviou ligeiramente depois de ter chegado a tocar os 4,82% em sessão — o nível mais alto desde janeiro de 2025 —, foi o mercado europeu que concentrou as maiores subidas do dia, com os investidores a exigir cada vez mais retorno pela dívida pública dos principais países da região, num contexto de défices e endividamento elevados e de fortes emissões de dívida corporativa.

Vai realizar obras em sua casa? Antes de contratar um empreiteiro, informe-se e previna conflitos

Os problemas mais comuns vividos pelos consumidores, no que toca à contratação de empreiteiros, passam por trabalhos realizados fora dos prazos acordados, obras deixadas incompletas pelo empreiteiro e cobrança de valores diferentes daqueles que foram acordados inicialmente.

Como pode o consumidor proteger-se?

– Antes de decidir contratar, procure obter vários orçamentos, leia-os e compare-os atentamente.

– Peça a discriminação de todos os materiais e respetivas marcas no orçamento escrito.

– Deve ser expresso inequivocamente no orçamento o prazo em que a obra será executada e concluída.

– Não aceite a obra como concluída sem verificar que os termos do contrato foram cumpridos.

– E talvez o mais importante, não se esqueça de solicitar fatura! Será sempre uma prova em caso de conflito!

A partir do momento em que detetar um defeito na obra, saiba que tem um ano para o comunicar ao vendedor. A comunicação tem de ser feita por escrito, através de carta registada com aviso de receção de modo a ficar com uma prova da denúncia do defeito.

Após denúncia efetuada, se o construtor não proceder à reparação e não for possível a resolução extrajudicial, o dono da obra poderá recorrer ao tribunal. Para isso, deve dar entrada de uma ação antes dos 3 anos após esse comunicado ao construtor relativamente ao defeito.

Saiba que passando esse período dos 3 anos o construtor fica livre da obrigação de reparar os defeitos da obra.

E quando os defeitos não são possíveis de serem reparados? O consumidor tem direito de exigir uma nova construção!

Se não for possível nem reparar, nem fazer uma nova construção, o consumidor pode exigir a redução do preço da obra. Essa redução do preço enquadra-se na diferença do dinheiro entre a quantia acordada para a realização dos trabalhos e o valor estimado para a correção dos defeitos.

Informe-se connosco.

Conte com o apoio da DECO MADEIRA através do número de telefone 968 800 489/291 146 520, do endereço electrónico deco.madeira@deco.pt. Siga-nos nas redes sociais Facebook, Bluesky, Instagram, Linkedin e Youtube!

O aumento este ano de crimes como tráfico de droga, condução com álcool ou ilegal, desobediência e furtos por carteiristas na grande Lisboa explica-se principalmente, segundo a PSP, pelo reforço da presença policial nas ruas.

Em entrevista à agência Lusa, o comandante do comando metropolitano de Lisboa (Cometlis) da PSP referiu que a proatividade policial e o aumento do número de detenções contribuíram para a subida de 2,9% da criminalidade geral na área do Cometlis nos primeiros oito meses do ano em relação ao mesmo período de 2025.

O superintendente-chefe Luís Elias realçou que o trabalho policial acaba por ter “um fator alavanque também na criminalidade geral”, acrescentando que há crimes “que só aparecem nas estatísticas fruto da atividade policial”, os chamados “crimes de proatividade policial”.

“Estou a referir, nomeadamente, aos crimes de tráfico de estupefacientes, a resistência e coação ao funcionário, a condução ilegal, a condução em estado de embriaguez, desobediência, são um conjunto de crimes que subiram estes oito meses e que tiveram uma influência na estatística global e em termos de criminalidade geral”, disse.

O comandante do Cometlis destacou igualmente o aumento do número de detenções, referindo que até ao fim de agosto a PSP fez mais 500 detenções em comparação com igual período de 2025.

Em relação à criminalidade violenta e grave, que desceu 0,4% na área do Cometlis nos primeiros oito meses do ano, Luís Elias afirmou que está relacionada com a diminuição dos roubos na via pública, “um tipo de crime que é bastante impactante no sentimento de segurança ou de insegurança” da população.

O mesmo responsável precisou que a PSP na área do Cometlis tem vindo a registar “descidas significativas nos roubos por esticão e roubos na via pública”.

“Nos diferentes itens da criminalidade violenta e grave, os roubos na via pública, os roubos por esticão são aqueles que têm maior expressão estatística e são aqueles que eu defini, como comandante do Comando Metropolitano de Lisboa, como uma prioridade no que respeita à instituição criminal e também à deteção em flagrante delito”, enfatizou.

Em sentido oposto, Luís Elias deu conta de que, no âmbito da criminalidade violenta e grave, subiram as extorsões e os raptos.

O furto por carteiristas, que não faz parte da criminalidade violenta e grave, mas merece por parte da PSP uma atenção especial, tendo em conta a sua alteração ao longo dos anos.

“O furto por carteiristas tradicionalmente estava muito associado a carteiristas de origem portuguesa muito seniores e que sempre fizeram como modo de vida este tipo de atividade. Mas nos últimos anos o furto por carteiristas está claramente associado à criminalidade transnacional, à criminalidade itinerante, a grupos internacionais que se deslocam a Portugal só com este objetivo”, explicou.

Segundo Luís Elias, a PSP tem detetado vários grupos que estão em Portugal durante uns dias ou semanas e depois voltam para outros países.

O comandante do Cometlis avançou que este crime está associado a associações criminosas que vivem deste tipo de atividade e que circulam por várias cidades europeias de Espanha, França e Itália, tendo este carteiristas antecedentes criminais em outros países

O aumento de carteiritas na capital portuguesa está também relacionado com o crescimento do turismo: “O turismo tem muitos fatores positivos, nomeadamente como alavanca para o desenvolvimento da nossa economia, mas também tem este fator de atrair determinado tipo de fenómenos criminais que têm a sua atividade em cidades e em locais de grande concentração de pessoas, nomeadamente turistas”.

Outra das dimensões criminais que preocupa atualmente o comandante do Cometlis são os assaltos e roubos organizados por grupos internacionais: “Temos uma outra dimensão, que tem sido agora muito falada, por exemplo, dos roubos do rolex, que está claramente relacionada com a criminalidade transnacional”.

Ressalvando que o caso do “gangue do rolex”, um grupo criminoso da América do Sul responsável por vários assaltos violentos nas ruas da capital a condutores de veículos topo de gama e com outros sinais exteriores de riqueza, está a cargo da PJ, Luís Elias manifestou-se preocupado com o possível surgimento de grupos com base nacional a tentarem imitar este ‘modus operandi’, mas “com resultados desastrosos”.

O Cometlis tem competência em nove municípios da Área Metropolitana de Lisboa: Amadora, Cascais, Lisboa, Loures, Odivelas, Oeiras, Sintra, Vila Franca de Xira e Torres Vedras.