Maior captação de investimento estrangeiro acarreta responsabilidades

No passado dia 21 de junho, a EY publicou o seu estudo EY’s attractiveness Survey Portugal 2018 onde se pode verificar que, pelo segundo ano consecutivo, a perceção que investidores estrangeiros têm sobre a atratividade do nosso país e os seus planos de curto prazo para investirem em Portugal atingem os melhores resultados entre os vários países europeus onde a EY efetua este estudo.

Maior captação de investimento estrangeiro acarreta responsabilidades
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Podemos verificar que existe um alinhamento entre a perceção que investidores têm, a forma como Portugal é avaliada em diversos rankings internacionais e a melhoria dos indicadores económicos do país. Esta conjugação de fatores traduziu-se num número recorde de Investimento Direto Estrangeiro (IDE) durante 2017, com um aumento de 59 para 95 novos projetos.

Constatamos que mais de 70% destes investimentos são projetos novos onde a área de Investigação e Desenvolvimento ganhou um maior peso (com 18 novos projetos).

Verificamos que os investidores acreditam nos ativos estruturais do país, com níveis de atratividade cada vez maiores, nomeadamente no que diz respeito à estabilidade do clima social, infraestruturas de telecomunicações, ambiente legal e regulatório e sistema de incentivos centrais. É salientada a elevada qualidade dos nossos recursos humanos e sua capacidade de adaptabilidade. No entanto, é também feita uma chamada de atenção para a necessidade de políticas de desenvolvimento de competências em áreas estratégicas como competências linguísticas, engenharia, tecnologias de informação. De facto, esta necessidade tem uma vertente global e reflete uma das preocupações da atualidade: a adequabilidade dos recursos existentes e em dimensão suficiente.

A maior notoriedade e atratividade de Portugal, aliada ao aumento de IDE no país e perspetivas de cada vez maior fluxo de projetos, necessariamente irá criar tensões adicionais sobre a capacidade dos recursos existentes darem resposta às necessidades futuras. Ações de reconversão de mão-obra existente, planos de incentivos de relocalizações de recursos para diferentes zonas do país, uma adequação dos currículos académicos às necessidades globais, a captação de talento estrangeiro qualificado para Portugal são medidas vitais para se conseguir garantir que Portugal se mantêm na crista da onda em termos de captação de IDE e consegue maximizar os seus ativos estruturais, a longo prazo, mantendo assim uma posição cimeira na atratividade de IDE de alto valor acrescentado.

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