Luís Parreirão, Gestor

“Permacrisis”

Se estamos a ficar mais pobres, se estamos endividados, se os custos dos bens essenciais como os alimentos, a habitação ou a energia escapam ao nosso controlo, é imperioso fixar um quadro de referência que nos oriente e mobilize a todos.

O dicionário inglês Collins escolheu como palavra do ano de 2022, permacrisis.

Será uma das seis palavras novas a incluir no dicionário Collins e terá sido usada pela primeira vez, nalguns meios académicos, na década de setenta do Século XX.

O seu significado é o seguinte: Permacrisis – a word describing the feeling of living through a period of war, inflation, and political instability.

Palavra infelizmente bem escolhida!

Nos primeiros vinte anos deste século vivemos na incerteza económica, financeira e patrimonial. Nos últimos dois anos vivemos uma pandemia que paralisou o mundo e vivemos, há quase um ano, uma guerra sem sentido e com efeitos devastadores, sobretudo para os mais pobres.

Com uma economia que abranda o crescimento e com muitos países em risco de recessão, com uma inflação e taxas de juro que há décadas não conhecíamos, com famílias endividadas muito para além do razoável, há que definir um caminho colectivo para os próximos anos.

É um erro deixarmos que se continue a pensar, e a agir, como se nada de extraordinário estivesse a acontecer.

Se estamos a ficar mais pobres, se estamos endividados, se os custos dos bens essenciais como os alimentos, a habitação ou a energia escapam ao nosso controlo, é imperioso fixar um quadro de referência que nos oriente e mobilize a todos nesta circunstância.

A cada dia que passa somos mais e, se nada for feito, seremos mais a viver com menos.

Com as actuais previsões de crescimento anual da população mundial, 1,1%, com a economia mundial a crescer 1,5% ao ano, e com a actual distribuição, social e geográfica, da riqueza e dos rendimentos, a humanidade parece caminhar inexoravelmente para a pobreza, com tudo o que daí decorre.

Por este caminho permacrisis será, por muitos anos, a palavra do ano.

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia.

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