O 17.º Governador do Banco de Portugal foi o rosto da Aula Inaugural que esta sexta-feira marcou o início oficial do ano letivo 2022/23 no ISAG – European Business School. Carlos Costa defendeu a importância de existir uma maior eficiência no ecossistema educativo e apontou o dedo à gestão em Portugal. “Em Portugal, temos obrigação não é de nos interrogarmos sobre quanto gastamos. É de interrogarmos sobre o que retiramos daquilo que gastamos”, afirmou.
É necessária, continua, uma “adequação daquilo que se produz em matéria educativa àquilo que são as necessidades do tecido económico” e é importante gerar “eficiência do sistema educativo do ponto de vista do aproveitamento dos recursos”.
No decorrer da sua preleção no ISAG, Carlos Costa disse: “temos de nos perguntar se este ecossistema está eficientemente organizado ou se, pelo contrário, gera resultados que são de segunda ou terceira ordem”, adiantando, de seguida, que “não há um ecossistema educativo que funcione com professores insatisfeitos” ou “com alunos que não entendam que a educação em si é um trabalho por parte deles”.
Não obstante, Carlos Costa reconhece a qualidade do sistema educativo português, enquanto apontou responsabilidades ao mercado empresarial: “não temos um tecido produtivo que acompanhe a qualidade dos licenciados, dos mestrados ou dos doutorados que a universidade já fornece, porque não consegue ter a especialização funcional que seria necessária para os utilizar plenamente”. Em causa está a “dimensão reduzida das empresas portuguesas” que, para Carlos Costa, traz uma “grande limitação” nas saídas profissionais e na absorção de mão-de-obra. “A fuga de cérebros é o reflexo da fragilidade do tecido produtivo e da qualidade do sistema educativo”, afirmou mesmo o economista.
“Temos de ir ao encontro dos fatores que determinam esta fragmentação empresarial”, salientou o antigo Governador, que indicou também caminhos de solução: “o primeiro elemento que temos de olhar claramente é o da política económica que, no fundo, conforta a falta de transparência e a opção pela pequenez”.
“Defendo claramente uma redução substancial do IRC para as empresas que aceitem modelos de governação com separação entre propriedade e gestão e com transparência de contas”, explicou Carlos Costa.
Na intervenção no ISAG – European Business School, o antigo governador do Banco de Portugal apontou ainda desafios de futuro para o sistema de ensino. Entre eles, a especialização das instituições, a “adequação da educação às necessidades de cada etapa de desenvolvimento do país”, incluindo ao desenvolvimento tecnológico, e ainda a necessidade de ganhar escala e sustentabilidade através da captação internacional de estudantes.
“Há um elemento decisivo com que estão confrontadas as escolas, que é entender o tecido produtivo, pressionar o poder político no sentido de regenerar o tecido produtivo (…) e, ao mesmo tempo, encontrar escala, em termos de alunos, para continuarem a ser melhores, não obstante estarem atrofiadas pelo mercado local. Passam a ser exportadoras de serviços”, explicou Carlos Costa.
A abertura do ano letivo do ISAG – European Business School contou também com a presença de Fred Antunes, coordenador da Pós-Graduação em Web 3.0, Blockchain e Criptoeconomia desta instituição. A partir de Jerusalém, Fred Antunes reforçou a mensagem da importância da “transparência” nos negócios, abordando o funcionamento dos criptoativos.
O também CEO da RealFevr destacou ainda o seu percurso profissional como exemplo de inovação e empreendedorismo, estimulando os que estavam presentes a seguirem a via profissional que desejam, olhando para ela sempre como uma oportunidade.
Numa Aula Inaugural focada no futuro da economia, do empreendedorismo e da sociedade portuguesa, Fred Antunes reforçou aquela que é também a mensagem desta instituição – “Be the change” -, num incentivo aos estudantes para não se compadecerem apenas com as vias profissionalizantes ditas “normais” e apostarem em seguir as ideias disruptivas que têm, optando “por uma via um pouco mais arriscada, quiçá mais interessante, que é a via da inovação”.