LEFFEST não desiste de tomar o pulso do cinema do mundo

A 16.ª edição do LEFFEST regressa a Lisboa e Sintra de 10 a 20 de novembro. Entre jovens realizadores e cineastas consagrados, estarão alguns dos filmes mais aguardados nesta nova temporada para ajudar a medir a temperatura do que se faz na 7ª arte por esse mundo fora.

LEFFEST não desiste de tomar o pulso do cinema do mundo
"Broker", Hirokazu Koreeda

Novembro é sinónimo de outono e LEFFEST. E, este ano, a tradição cumpre-se, como vem sendo hábito, entre Lisboa e Sintra, com uma seleção de obras cinematográficas da Europa à Ásia e África. A oferta é eclética e o maior desafio para o público que se estreia nestas andanças, mas também para os habitués, será selecionar o que ver nos dez dias de festival.

Na Seleção Oficial em Competição, o programa conta com 11 filmes de várias cinematografias, ao passo que na Seleção Oficial Fora de Competição serão exibidas obras que passaram pelos mais importantes festivais de cinema, entre as quais “Crimes of the Future”, filme de abertura que assinala o regresso de David Cronenberg ao grande ecrã, após alguns anos sem filmar. “O realizador também estará presente na sessão e fará uma conversa sobre o seu cinema, quando tem na calha já um novo filme”, lê-se no comunicado.

Cronenberg não será o único nome sonante no LEFFEST. “Armageddon Time”, de James Gray, “White Noise” de Noah Baumbach, uma produção da Netflix, adaptação do romance homónimo de Don DeLillo – ‘reincidente’ no festival desde a sua primeira edição –, “The Lost King”, de Stephen Frears, que também estará presente, ou ainda Jerzy Skolimowski, com “EO”, que o Festival de Cannes agraciou com o prémio do Júri.

 

 

E se este punhado de filmes já é uma provocação para qualquer cinéfilo não falhar a 16ª edição, convém lembrar que o rol de cineastas de referência não se fica por aqui. Park Chan Wook traz ao LEFFEST a sua obra mais recente, “Decision to Leave”, assim como Hirokasu Koreeda verá exibido o seu “Broker”, filmado na Coreia do Sul com o ator do premiadíssimo “Parasitas”.

A realizadora Laura Poitras, num exercício cinematográfico que conta com a participação da artista visual norte-americana Nan Goldin, intitulado “All the Beauty and the Bloodshed”, é outro dos nomes em cartaz, na edição cujo júri é presidido pelo cineasta francês Olivier Assayas. E que terá por companhia a atriz portuguesa Joana Ribeiro, o arquiteto francês Rudy Ricciotti e Julie Dash, a cineasta do movimento L.A. Rebellion.

O movimento L.A. Rebellion surgiu na década de 60 e juntou um conjunto de realizadores associados à UCLA. Inovador e revolucionário, este movimento focou-se especialmente nas vivências da comunidade afro-americana nos EUA. O L.A. Rebellion será, assim, um ponto de partida para uma exposição e ampla retrospetiva cinematográfica, que traz a Lisboa e Sintra realizadores emblemáticos do movimento, como Ben Caldwell, Billy Woodberry, Charles Burnett, Haile Gerima e Julie Dash, que irão participar em várias conversas.

E por falar em retrospetivas, importa mencionar a exibição da obra completa de Sérgio Tréfaut, realizador multipremiado que vai apresentar, em antestreia no LEFFEST, o seu mais recente filme, “A Noiva”, que integrou a Seleção Oficial do Festival de Veneza, secção Orizzonti. Espaço ainda para homenagear um ator icónico, Jim Carrey, a quem o festival dedica também uma retrospetiva intitulada “Jim Carrey: Mito ou Realidade?”.

 

 

Entretenimento e questionamento são essenciais no cinema. Não menos importante, a sua relação com os públicos, nomeadamente do público-população prisional, que o LEFFEST promove no âmbito do programa especial “Romper as Grades”. Como se pode ler no comunicado, o objetivo é, por um lado “aproximar as vivências das prisões ao nosso público”, e, por outro, “aproximar o cinema dos reclusos, com um conjunto de eventos”. A começar por um debate sobre o abolicionismo com a professora, ensaísta e ativista Angela Davis, figura icónica e autora de obras como “A Liberdade é uma Luta Constante, As Prisões Estão Obsoletas?” e a mais recente “Abolition. Feminis. Now.”, uma criação coletiva de várias autoras, entre as quais Gina Dent, que também estará presente no festival.

O LEFFEST programou ainda um conjunto de espetáculos, desde o teatro a concertos, passando pela dança. O teatro e a música numa apresentação inédita de John Malkovich, que trará “The Infamous Ramirez Hoffman”, a partir de textos de Roberto Bolaño; concertos de Dino D’Santiago, no Grande Auditório do Centro Cultural Olga Cadaval, e do mítico saxofonista Archie Shepp, no Teatro Tivoli BBVA; a dança também marcará presença com a Companhia Olga Roriz, numa colaboração com um grupo de reclusos do Estabelecimento Prisional do Linhó, onde o programa do LEFFEST terá uma  extensão, bem como ao EP de Tires. As sessões contarão ainda com alguns convidados do festival.

No dia 13 de novembro, serão inauguradas as exposições “L.A. Rebellion – Uma Viagem com Ben Caldwell Através da História” e “Legado do Movimento e Arte Entre Ruínas: Sublimação Artística na Faixa de Gaza”, no MU.SA – Museu das Artes de Sintra.

Consulte aqui a programação da 16ª edição do LEFFEST.

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