Com uma conjuntura desafiante pela frente em 2023, as empresas portuguesas procuram manter a trajetória de afirmação internacional, conquistando novos mercados e solidificando a sua presença nos principais compradores de bens e serviços ao nosso país. A estratégia nacional deve, então, focar-se em alargar a base de exportação e apostar no digital, prevê o secretário de Estado da Internacionalização, Bernardo Ivo Cruz.
As empresas portuguesas parecem-lhe prontas para enfrentar uma subida dos custos de financiamento?
O contexto em que nos encontramos é difícil e implica a mobilização de todos. Temos de fazer um esforço conjunto para manter a economia em funcionamento e o país na trajetória de crescimento económico. O Governo está fortemente comprometido com as empresas portuguesas. O Plano Extraordinário de Apoio permite que, assegurando os nossos objetivos em termos de dívida pública, as apoiemos, até ao limite do que é permitido pela Comissão Europeia.
Para ajudar as empresas a lidar com este período de grande incerteza, o governo apresentou um pacote de medidas de mais de 1.400 milhões de euros e uma linha de crédito do Banco Português de Fomento, de 600 milhões de euros, destinada a empresas afetadas pela inflação, pelo preço da energia, das matérias-primas e perturbações nas cadeias de abastecimento.
Dada a esperada queda na atividade económica global, como se devem posicionar as empresas nacionais para continuarem a sua afirmação no mercado externo?
Foi fixada uma meta ambiciosa, mas alcançável, de chegar ao final de década com um peso de 53% das exportações no PIB. Para reforçar a internacionalização e a promoção externa das empresas portuguesas será lançado brevemente um aviso, no valor de 30 milhões de euros, para financiamento da participação em feiras internacionais e a integração em redes internacionais (logísticas ou de distribuição). Portugal exporta 60% para países da União Europeia. Se, como se prevê, houver um abrandamento da economia europeia, será muito importante a diversificação dos mercados. O alargamento da base exportadora das empresas portuguesas e a captação de novos mercados e clientes externos é central. Deve ser feita usando os canais digitais e adaptando os modelos de negócio internacionais ao digital.
Olhando para França, qual a estratégia portuguesa para a internacionalização neste importante mercado? Quais os principais sectores que mostram mais potencial para se afirmarem em França?
França é um dos nossos principais parceiros comerciais. Fatores como a proximidade geográfica e cultural entre os dois países; a acessibilidade; o reconhecimento de Portugal entre os agentes económicos franceses como País que “fabrica bem” e que “produz qualidade”, são uma prova da solidez dos laços económicos.
Exportam para este mercado mais de 5.500 empresas portuguesas, em setores variados como o calçado, mobiliário, têxteis, confeções, bens alimentares e bebidas, e sectores tecnologicamente mais desenvolvidos como o automóvel, material elétrico ou máquinas e equipamentos industriais.
A comunidade portuguesa em França é muito reconhecida e tem tido um crescente papel no reforço das relações económicas bilaterais entre os nossos países. A comunidade empresarial lusa aí presente é uma potencial parceira das empresas portuguesas interessadas em entrar no mercado francês.