Quase 72 anos depois do lançamento das primeiras bombas nucleares, a Organização das nações Unidas (ONU) aprovou o primeiro tratado que proíbe o desenvolvimento, armazenamento e ameaça de utilização de armas nucleares, avança a Lusa.
Liderados pela Áustria, Brasil, México, África do Sul e Nova Zelândia, um total de 141 países participaram nas três semanas de negociações do tratado.
Destes, apenas 122 votaram a favor. Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França, Israel, China, Índia, Paquistão e Coreia do Norte – as nove potências nucleares do planeta – boicotaram as negociações, não participando, o mesmo acontecendo com a maioria dos países da NATO, Portugal incluído.
Curiosamente, o Japão, único país que, até hoje, foi alvo de um ataque atómico, boicotou as negociações. A Holanda votou contra e Singapura absteve-se.
Elayne Whyte Gomez, representante da Costa Rica nas Nações Unidas e presidente da conferência da ONU que presidiu às negociações, afirmou que “o mundo esperava esta norma legal há 70 anos”, citada pelo jornal britânico The Guardian.
No entanto, o tratado só se aplica aos Estados signatários. Para estes, o novo tratado vai acentuar a pressão sobre os Estados nucleares, levando-os a encarar o desarmamento com nova perspetiva. Já os países com capacidade nuclear consideram o tratado irrealista e acreditam que não terá qualquer impacto na redução do atual arsenal mundial.
A argumentação dos países com capacidade nuclear passa também pelo facto de os arsenais existentes serem essencialmente dissuasores e estarem sujeitos às condições do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, de 1968, que responsabiliza os países pela redução dos seus arsenais.
As organizações que defendem o desarmamento aplaudem o tratado aprovado esta sexta-feira, considerando que o mesmo irá contribuir para o aumento da estigmatização das armas nucleares junto da opinião pública.