O‘managing partner’ da VdA acredita que a estabilidade política e económica deverá manter-se no próximo ano e não espera grandes mexidas no mercado da advocacia, apesar de pensar que o futuro passa pela consolidação entre escritórios. À frente de uma sociedade com forte presença no sector bancário, João Vieira de Almeida acha que será possível uma “solução de mercado” para limpar os balanços e reforçar os rácios de capital da banca nacional, sem impacto no défice e na dívida pública.
Que balanço faz de 2016, no que toca à actividade da VdA?
Faço um balanço muito positivo, por várias razões. É o primeiro ano em que funcionamos já com todas as pessoas que se juntaram ao nosso projecto, vindas de outros escritórios. É também o primeiro ano em que temos o arranque do nosso projeto de internacionalização a sério, obtendo uma excelente resposta que correspondeu perfeitamente aquilo que pretendemos. É o ano em que vimos esse projeto de internacionalização e esse esforço imediatamente refletidos: fomos a primeira firma portuguesa a ser nomeada para o prémio de melhor firma pan-africana. Este reconhecimento também já reflete a integração dos novos sócios [vindos da Miranda]. É o ano em que vemos pela terceira vez uma pessoa da VDA indicada como “advogado mais inovador da Europa. E é um ano em que, acho, temos as pessoas satisfeitas, tranquilas e motivadas com o projeto.
Integraram os novos sócios e vários advogados vindos da Miranda. Prevê novas integrações num futuro próximo?
Estamos muito apostados no crescimento orgânico: sempre foi a nossa linha estratégica potencial de crescimento, que para nós é a que melhor preserva a cultura da firma, que para nós é fundamental. Mas acho perfeitamente possível que ainda este ou no próximo ano haja mais um dois sócios que possam integrar o escritório. Não estamos a contar integrar escritórios.
Há quem considere que no mercado português só há espaço para dois ou três escritórios. Concorda?
Oiço dizer isso há muito tempo e eu próprio defendo essa tese, mas não consigo situá-la no tempo. Acho que é possível que isso venha a acontecer, mas neste momento temos três escritórios bastante fortes ligados ao mercado, e o meu desejo é que esta situação não se altere. Acho que é importante a concorrência: estimula-nos uns aos outros. É importante que haja escritórios que possam posicionar-se nos diversos lados de uma transação.
Em termos de expectativas para 2017, que áreas práticas pensa que se vão distinguir? E no escritório? E no mercado?
Não me parece que vá haver grandes mudanças em 2017 – dependendo também daquilo que acontecer no cenário político. Mantendo-se as coisas como estão, sendo aprovado o Orçamento do Estado e não havendo grandes novidades de Bruxelas e no plano político interno, desde que não haja, enfim, grandes “trambolhões”, penso que não haverá grandes diferenças.
Acha que a “Geringonça” se vai aguentar?
Acho que para 2017, sim; não vejo outra alternativa para a aprovação do Orçamento do Estado. Não faço prognóstico a médio prazo; para já, acho que sim, que se aguenta. Acho que na equação custo-benefício, uma eventual queda do Governo, os partidos que compõe neste momento a coligação chegam rapidamente ou já terão chegado à conclusão que mais vale viabilizar o orçamento. Dentro dos compromissos que têm sido feitos, e habilmente feitos, provavelmente mais habilmente até do que muita gente pensava e mais eficientemente.
O vosso escritório tem uma presença muito forte na área da banca e setor financeiro. Como é que o Governo tem tentado resolver o problema da falta de capital da banca nacional? E a venda do Novo Banco?
No caso do Novo Banco não me pronuncio. Estamos diretamente envolvidos [como assessor]. No caso da Caixa é fácil de constatar, como toda a gente, que se esperava uma solução um bocado mais fluída, mas penso que neste momento não vale a pena estar a repisar esse ponto. Acho que o que interessa é que a solução está a avançar e ainda vai avançar e acho que estão reunidas as condições para se poder dar ali uma volta à Caixa. Tal como acredito que é possível dar uma volta à situação da banca em geral, que é uma situação que preocupa toda a gente, mas penso que é possível construir soluções, sem impacto no défice, para resolver o problema das imparidades dos ativos.
Que tipo de soluções?
Acho possível uma solução de mercado.