Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, votou este domingo às 11h00 da manhã, na aldeia Pirescoxe, em Loures, na mesa nº5, poucos minutos depois das 11h00.
Em declarações aos jornalistas, o líder da CDU disse a campanha para as eleições “foi muito dinâmico” que “pode reduzir a abstenção”.
“Já tive a primeira alegria. O meu neto mais velho vai votar pela primeira vez. Um direito que eu não tinha quando tinha a idade dele”, vincou o líder comunista.
O líder comunista disse que vai passar o dia em casa com a família.
O líder da CDU – que se mostrou sempre pouco à vontade nos inúmeros debates a que teve de comparecer – quis mostrar que os deputados da coligação foram ao longo da legislatura uma espécie de ‘travão’ às tentações centristas e mesmo, na ótica do PCP, direitistas do PS. Considerando que o aumento do número de deputados da CDU é a forma mais eficaz de manter essa capacidade de obstrução a qualquer deriva de direita de António Costa, Jerónimo de Sousa fez uma campanha de baixo para cima: começou muito longe dos ‘parceiros’ do Bloco, mas ao longo das semanas de pré-campanha e de campanha, a coligação foi-se aproximando da sua dimensão parlamentar. E tem fundadas esperanças de que possa mesmo vir a ter uma pequena subida.
Se ao longo da campanha o tabu do PS foi a maioria absoluta, o tabu da CDU manteve-se o mesmo de há quatro anos: o Bloco. Os comunistas e Jerónimo de Sousa tratam o partido de Catarina Martins como uma ‘coisa’ cuja existência ainda carece de prova – sendo que o PCP parece estar convencido da sua inexistência, ou, dito de outra forma, não passa de um epifenómeno com tendência para o desaparecimento, o que contrasta com as décadas de resistência do PCP, praticamente o único partido comunista com relevância parlamentar que existe na União Europeia.
No final do dia, ou talvez na próxima semana, a CDU pode acabar por ser a grande surpresa do dia – e Jerónimo de Sousa sabe disso: se o PS não atingir a maioria absoluta e precisar apenas de um partido para fazer uma coligação, nada indica que António Costa venha a ‘escolher’ o Bloco em detrimento do PCP – afinal de contas, como os próprios socialista afirmam, os comunistas são bastante mais previsíveis e bastante menos inclinados a traições políticas.