Portugal atinge recorde de 24 milhões de turistas em 2019

Presidente do Turismo de Portugal acredita que o crescimento verificado no final do primeiro semestre se irá manter na segunda metade do ano.

Portugal atinge recorde de 24 milhões de turistas em 2019
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Muitas têm sido as profecias da desgraça sobre o futuro do turismo em Portugal e da alegada quebra do setor na contribuição significativa que tem tido nos últimos anos para a recuperação da economia nacional. Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, em entrevista ao Jornal Económico, é de opinião contrária e revela que até ao final do primeiro semestre o setor cresceu 6% em número de turistas e 7% em receitas face ao período homólogo. Mais: acredita que é possível manter este ritmo de crescimento até ao final deste ano, mesmo admitindo que estamos a entrar numa fase de abrandamento, uma vez que não é possível repetir o acréscimo de receitas acumulado de 45% verificado em Portugal nos últimos três anos.

Se se confirmarem as previsões de Luís Araújo, Portugal irá superar a barreira dos 24 milhões de turistas no final do presente ano, uma vez que em 2018, segundo as estatísticas recentemente divulgadas pelo INE – Instituto Nacional de Estatística recebeu um total de 22,8 milhões de turistas, o que o colocou no 17º lugar no ranking dos países com maior número de turistas a nível mundial, de acordo com a OMT – Organização Mundial de Turismo.

As regiões que estão a crescer mais são o Norte, o Centro e o Alentejo. E se, mesmo com o Brexit, os turistas ingleses continuam a crescer, assim como os espanhóis, os grandes destaques são os mercados emissores overseas: Brasil, Estados Unidos e Canadá, do outro lado do Atlântico; ou Malásia, Vietname e Hong Kong, na Ásia. Mesmo sem ligação aérea direta há mais de um ano, os turistas chineses em Portugal continuaram a crescer de forma consecutiva. Um desempenho que deverá acelerar com a retoma da ligação aérea entre Lisboa, Xi’ an e Pequim, com três frequências semanais, já a partir de hoje (ver texto ao lado).

Fala-se de um abrandamento da atividade turística em Portugal. Quais são os últimos dados que tem disponíveis?
Segundo os dados que temos até junho, em relação à atividade do turismo em Portugal continuamos a crescer, 7% em receitas e 6% em número de turistas, face ao período homólogo. Continuamos na senda do crescimento. E em todas as regiões do país, com exceção da Madeira, que é a única a descer, mas que também é uma das regiões turísticas com uma das taxas de ocupação mais altas. A capacidade aérea continua a crescer em todos os aeroportos nacionais, medida pelo número de lugares disponíveis.

Mas verifica-se um abrandamento?
Repare: nos últimos três anos, o crescimento das receitas da atividade turística em Portugal foi de 45%. É normal que a atividade comece a estabilizar a nível de crescimento, mas o que é mais importante é que continua a haver crescimento.

E considera que é possível manter esse crescimento no final deste ano, na casa dos 6% ou 7% face a 2018?
Penso que sim, que é possível chegar ao final deste ano com esse tipo de crescimento, entre os 6% e os 7%, como se verificou no final do primeiro semestre. Tudo depende dos resultados de julho e de agosto, mas acredito que também são positivos nesse aspeto. Acho que estamos todos a trabalhar para isso, não só ao nível da promoção, mas também no plano da facilitação para que mais pessoas, para que mais turistas cá cheguem. E esse é um grande trunfo.

Quais são os grandes destaques da atividade turística em Portugal neste primeiro semestre?
Há cada vez maior interesse de novos mercados para nos procurarem como destino turístico. Estou a falar de mercados emissores como os Estados Unidos, Canadá ou o Brasil, por exemplo. Destaco que neste momento o Brasil já é o nosso quinto maior mercado emissor e está a consolidar cada vez mais essa posição. Mas também de mercados que antes nem sequer ponderavam Portugal como destino turístico de referência. Sentimos um grande fluxo de mercados asiáticos, muito em resultado da operação da Emirates, que já tem dois voos diários para Lisboa e um para o Porto.

Quais são esses mercados asiáticos responsáveis por novos fluxos turísticos para Portugal?
Estamos a falar da Malásia, de Hong Kong ou do Vietname, onde existe uma significativa comunidade católica, que tem interesse em visitar Fátima. Mas também da China, apesar de ter terminado a ligação aérea direta com a China, que agora vai ser retomada. Está previsto retomar a nova rota a 30 de agosto, entre Lisboa, Xi’an e Pequim, com três frequências semanais.

Mas o mercado chinês deve ter sofrido com a inexistência da referida ligação aérea direta desde há quase um ano…
A verdade é que nunca tivemos decréscimo de turistas chineses neste período, mas claro que agora deverá voltar a crescer mais. O Alentejo é uma das regiões pelas quais o turista chinês tem mais apetite em Portugal, penso que devido ao interesse no património histórico, além de outros atrativos, como a paisagem natural.

Como explica esse fenómeno de o mercado emissor chinês ter continuado a crescer, mesmo sem ligação aérea direta?
Penso que muitos poderão ter vindo através da referida ligação da Emirates e outros poderão ter vindo via Espanha, precisamente para tentar visitar o Alentejo.

Além desta apetência particular dos chineses pelo Alentejo, existem outras especificidades de mercados emissores que queira destacar?
Sim, por exemplo, o mercado dos Estados Unidos, além da componente cultural e histórica, procura muito o turismo natural, o ‘turismo verde’. Daí a sua preferência pelo vale do Douro.

Além dos mercados asiáticos, há crescimento de outros mercados noutras regiões geográficas?
Tem havido um grande crescimento de turistas de Israel, também em função da ligação aérea direta, que está a ser trabalhada entre a El Al e a TAP. O mercado emissor de Espanha continua a crescer. Também o Reino Unido, apesar do ‘Brexit’, continua a crescer.

Em termos de regiões, quais foram as que mais cresceram em número de turistas no primeiro semestre?
O Norte de Portugal, o Centro e o Alentejo.

No Algarve, além de diversas outras ameaças existe a possibilidade de a Ryanair reduzir ou fechar mesmo a base aérea no aeroporto de Faro. Qual é o ponto da situação?
O que nós temos de garantir é que o destino é atrativo e competitivo para as companhias aéreas e para os operadores turísticos continuarem a voar para Portugal e escolherem Portugal como destino. Nesse aspeto, estamos a fazer um grande trabalho com as regiões de turismo e com os aeroportos. Temos de ter uma visão abrangente e não apenas caso a caso. Até agora, como no caso da Madeira, temos conseguido compensar com outras companhias aéreas que passam a voar para os aeroportos nacionais. E isso demonstra que temos de estar sempre atentos à perspetiva dos mercados emissores e apostar na diversificação de produtos e na segmentação em cada um desses mercados, para concretizarmos a diferenciação em relação a outros mercados emissores concorrentes, como temos feito até agora.

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