Centros de dados: investidores em Espanha ameaçam fugir para Portugal

Novas regras ameaçam ter impacto negativo de mais de 60 mil milhões, com Portugal a ser visto como destino preferencial para investimentos no setor que alimenta a inteligência artificial.

Centros de dados: investidores em Espanha ameaçam fugir para Portugal
Espanha

Os investidores em centros de dados em Espanha ameaçam fugir para Portugal com as regras que estão a ser preparadas no país vizinho para o setor.

O setor está a olhar para Portugal como beneficiado dado dispor de acesso a eletricidade, renovável, preços competitivos, boas ligações de telecomunicações, excelente localização geográfica e condições regulatórias razoáveis, revela o El Economista.

Outros países podem ser beneficiados com as mudanças regulatórias em Espanha, como Itália, França ou Polónia, apesar de Portugal ser considerado o preferido.

A consulta pública está a dois dias de fechar, com caráter de urgência, e as empresas com capacidade de 1 gigawatt ou superior temem o impacto das novas regras.

Entre elas encontra-se a obrigação de consumo de energia renovável em 80% hora a hora, em vez de uma meta anual. Cada megawatt (MW) consumido de eletricidade tem de ser transformado em verde nos 18 meses seguintes.

A associação setorial SpainDC teme um impacto negativo entre 0s 53,6 mil milhões a 60,3 mil milhões de euros, visto ter o impacto, nas suas contas, de poder reduzir o investimento direto e indireto entre os 80% a 90%. Sem este impacto, o investimento deveria atingir os 67 mil milhões de euros até 2030.

Portugal aprovou este ano o Plano Nacional de Centros de Dados (PNCD) que visa acelerar investimento no setor em Portugal. Entre as medidas está a identificação de terrenos, com planeamento aprovado, infraestrutura básicas e ligações à rede elétrica, realocando capacidade não utilizada para projetos de centros de dados.

O setor nacional pode acrescentar 26 mil milhões de euros ao PIB nacional até 2030, segundo um estudo da Copenhagen Economics. A Microfost já anunciou um investimento de 8,6 mil milhões de euros em Sines para instalar 12 mil chips de nova geração da Nvidia no projeto Start Campus em Sines, que prevê uma capacidade de 1,2 gigas num investimento superior a 8 mil milhões.

O “El Economista” cita fontes do mercado espanhol, apontando que as novas regras “vão a repelir o investimento em Espanha, caso não haja uma mudança radical” na proposta. “Todos os que planeiam investir em Espanha vão mudar de opinião e vão para outros países europeus”.

Por parte do Governo de Pedro Sanchez, existe disponibilidade para discutir todos os detalhes com o setor para alcançar um acordo razoável, segundo o jornal de economia.

O ministério da Transformação Digital, tutelado por Oscar Lopez, está preocupado com os especuladores do setor energético que detêm pontos de ligação.

“Existe um grave problema de especulação, já que muitos compraram solo com potência concedida para revendê-lo a centros de dados e bloqueiam o ‘pool’. Evidentemente, as condições energéticas previstas no projeto de lei expulsam-nos, mas também expulsam a todos: tanto a quem não tem projetos, como os que têm de verdade”, segundo fontes do setor.

Já o líder da SpainDC Emilio Diaz faz um retrato dos investidores que podem dar o salto na fronteira para Portugal. “Estamos a falar de empresas que tomam decisões de investimento de muito longo prazo em relação a solo, financiamento, obra, equipas, contratos energéticos e acordos com terceiros. As regras podem mudar, mas, se são feitas de forma estrutural e com prazos de seis meses de adaptação, criam um problema muito sério de segurança jurídica e de proporcionalidade”.

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