Prestação média da casa chega aos 436 euros e sobe há dez meses seguidos

A prestação média dos empréstimos à habitação atingiu 436 euros em junho, o valor mais alto da série do Banco de Portugal. Sobe há dez meses consecutivos, pressionada pela renovação da carteira com capitais mais elevados.

Prestação média da casa chega aos 436 euros e sobe há dez meses seguidos
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A prestação média do conjunto dos empréstimos à habitação em Portugal atingiu 436 euros em junho, o valor mais alto da série do Banco de Portugal, que sobe há dez meses consecutivos. No mesmo mês, a taxa de juro média dos novos contratos e das renegociações fixou-se em 2,93%.

O que distingue este indicador dos restantes é que ele mede o stock, não os contratos novos. A prestação média nacional resulta de milhões de contratos assinados ao longo de três décadas, com capitais em dívida, prazos remanescentes e indexantes muito diferentes. Um valor agregado com esta natureza move-se devagar e não reage a um mês bom ou mau. Que suba dez meses seguidos e atinja o máximo da série significa que a pressão é estrutural e generalizada, não pontual.

A mecânica por trás da subida tem duas componentes que se somam. A primeira é a revisão dos contratos indexados, que vão incorporando a trajetória da EURIBOR nas respetivas datas de aniversário, distribuída ao longo dos meses em vez de aparecer de uma só vez. A segunda, e provavelmente a mais determinante, é a renovação da carteira: cada contrato antigo que termina é substituído por contratos novos com capitais muito superiores, o que puxa a média para cima independentemente do que as taxas façam.

A dimensão dessa segunda componente é visível quando se comparam as duas pontas. A prestação média nacional é de 436 euros. A prestação média dos contratos celebrados em julho através do ComparaJá, na sua análise de mercado, foi de 850 euros nos clientes com menos de 35 anos e de 749 euros nos restantes. Quem entra hoje no mercado assume um encargo mensal que é praticamente o dobro da média do país, porque financia valores que não têm comparação com os que estavam em causa há dez ou quinze anos.

Este desfasamento explica por que motivo a experiência do crédito à habitação em Portugal é hoje tão desigual entre gerações, sem que a diferença resulte de decisões melhores ou piores. Quem comprou cedo tem uma prestação baixa em termos absolutos, um capital em dívida residual e sensibilidade limitada ao indexante. Quem compra agora tem uma prestação alta, um capital elevado por amortizar e exposição direta a cada movimento das taxas. Os dois grupos vivem no mesmo mercado e leem a mesma notícia sobre a média nacional, mas ela não descreve nenhum dos dois.

A trajetória do indicador nos próximos meses vai depender de duas forças em sentido contrário. Do lado da subida, mantém-se a renovação da carteira com capitais mais altos e a incorporação da EURIBOR, que voltou a subir no início de agosto, com o prazo a seis meses a tocar os 2,724%, máximo desde novembro de 2024. Do lado da travagem, as regras de concessão mais exigentes que entraram em vigor a 1 de agosto reduzem o montante que cada nova operação pode assumir. A primeira força é imediata, a segunda demora meses a chegar à média. Até lá, é razoável esperar que o máximo da série seja batido outra vez.

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