Sindicato exige à administração da Estoril Sol que explique reestruturação e garanta postos de trabalho

Trabalhadores da Estoril Sol concentram-se dia 6 para exigir esclarecimentos sobre contas de 2025

Sindicato exige à administração da Estoril Sol que explique reestruturação e garanta postos de trabalho
Casino Estoril (1)

O Sindicato de Hotelaria do Sul alertou hoje para os “sérios preocupações” suscitados pelo Relatório e Contas de 2025 da Estoril Sol (III), que regista um prejuízo de 17,9 milhões de euros, e exigiu à administração da empresa “transparência” e envolvimento dos trabalhadores nas soluções para a concessão.

Em comunicado, a estrutura sindical, que subscreve o documento juntamente com a Comissão Unitaria de Trabalhadores da ESIII, sublinha que os números agora conhecidos, após “sucessivos adiamentos” que ultrapassaram os prazos legais, evidenciam uma “agravamento significativo” face aos 4,8 milhões de euros de prejuízo registados em 2024.

O relatório aponta ainda para uma necessidade de reforço dos capitais próprios na ordem dos 35 milhões de euros, para cumprimento das exigências da Lei do Jogo, e para o reconhecimento de imparidades no valor de 13,2 milhões de euros.

Apesar deste quadro, a empresa “afirma publicamente dispor de recursos suficientes para assegurar a continuidade da concessão”, o que, para o sindicato, obriga a administração a informar os trabalhadores “sobre as medidas que pretende adotar para garantir a estabilidade da empresa, a manutenção da concessão e a salvaguarda dos postos de trabalho”.

O documento financeiro prevê ainda a constituição de uma provisão de 3,3 milhões de euros destinada a uma “reestruturação com redução permanente dos custos operacionais”, sem que tenha sido dada “qualquer explicação” sobre a sua natureza.

“Estamos perante um processo que poderá conduzir a um despedimento coletivo? Uma reorganização de serviços? A eliminação de estruturas redundantes? Ou apenas uma racionalização de processos? A empresa tem a obrigação de esclarecer os trabalhadores”, questiona o sindicato.

As Organizações Representativas dos Trabalhadores (ORT’s) exigem que a administração se reúna “com carácter de urgência” para prestar esclarecimentos e discutir as soluções, defendendo que “a viabilidade da empresa não pode ser feita à custa dos trabalhadores”.
O sindicato apela ainda à intervenção do Governo, do Secretário de Estado do Turismo e do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ), que “não podem permanecer em silêncio” perante a gravidade da situação.

Para além da reunião já agendada para 10 de setembro na Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT), com a presença da empresa, está marcada uma reunião com o Secretário de Estado do Turismo para 16 de agosto. As ORT’s aguardam ainda o agendamento de uma reunião requerida ao SRIJ.

As estruturas sindicais defendem a manutenção da concessão e exigem ao Executivo uma “avaliação do atual caderno de encargos”, bem como a adoção das alterações necessárias para “assegurar a viabilidade da concessão, salvaguardar os postos de trabalho e garantir todos os direitos conquistados pelos trabalhadores”.

Os trabalhadores da Estoril Sol (III) vão realizar um plenário geral e uma concentração no próximo dia 6 de agosto, pelas 12:00, junto à entrada de serviço do Casino do Estoril, para “denunciar o silêncio da empresa e manifestar a preocupação dos trabalhadores”.

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