DBRS espera que o lucro da CGD em 2026 fique “no mínimo” em linha com o de 2025

A CGD apresenta resultados resilientes no 1º semestre de 2026, apoiados por libertações de imparidades, diz DBRS.

DBRS espera que o lucro da CGD em 2026 fique “no mínimo” em linha com o de 2025
O diretor executivo da Caixa Geral de Depósitos, Paulo Macedo (C), durante a apresentação dos resultados do 1.º trimestre de 2026 da Caixa Geral de Depósitos, esta tarde na sede do banco em Lisboa, 8 de maio de 2026. MIGUEL A. LOPES/LUSA

“A Caixa Geral de Depósitos (CGD) apresentou um conjunto resiliente de resultados no primeiro semestre de 2026, sustentado por significativas libertações de imparidades de crédito, melhoria da qualidade subjacente dos ativos e uma posição robusta de capital e liquidez”, segundo uma análise da Morningstar DBRS.

A receita operacional recuou em termos homólogos, refletindo a diminuição da margem financeira líquida (NII) e ganhos mais fracos da carteira de trading, devido a ajustamentos de valorização em participações em fundos existentes, sendo que a queda da margem foi impulsionada sobretudo por yields mais baixos dos ativos, que superaram os benefícios do forte crescimento de crédito e depósitos e dos menores custos de funding, destaca a agência de rating.

Em base trimestral, no entanto, a margem parece ter atingido o ponto mais baixo no quarto trimestre de 2025 e iniciou uma recuperação, criando um cenário mais favorável para o resto de 2026, aponta a DBRS.

As comissões líquidas aumentaram face ao período homólogo, beneficiando do momento contínuo na distribuição de produtos fora de balanço – em particular fundos de investimento e seguros – e de comissões mais elevadas em cartões.

Por outro lado, os custos operacionais mantiveram-se sob controlo apertado, permitindo à CGD preservar um rácio de eficiência de referência no setor, apesar da quebra de receitas. O banco registou libertações substanciais de imparidades de crédito, impulsionadas pelo desempenho sólido da carteira de empréstimos, apoiado por condições económicas resilientes em Portugal e por um mercado de trabalho forte. O resultado líquido beneficiou ainda de uma taxa efetiva de imposto mais baixa.

Para o conjunto do ano de 2026, a analista Maria Parra, vice-presidente para instituições financeiras europeias da Morningstar DBRS, antecipa que a NII se mantenha globalmente estável ou ligeiramente superior à de 2025. A melhoria das yields dos ativos na segunda metade do ano, a par da continuação do crescimento sólido do crédito, deverá compensar em grande medida a descida registada no primeiro semestre.

Em consequência, a DBRS espera que o lucro líquido da CGD em 2026 fique, no mínimo, em linha com o de 2025, podendo inclusivamente superá-lo. Os principais fatores de suporte deverão ser a estabilização da margem financeira, o crescimento contínuo das comissões assente na distribuição de produtos fora de balanço em Portugal, a disciplina de custos e o potencial de novas libertações de imparidades na segunda metade do ano.

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