Prémio Camões distingue escritora Lídia Jorge

Júri deliberou por unanimidade, destacando "o diversificado conjunto da sua obra e o grande contributo para o enriquecimento do património literário e cívico-cultural da língua portuguesa".

Prémio Camões distingue escritora Lídia Jorge
A escritora Lidia Jorge durante a cerimónia militar comemorativa do Dia de Portugal, no âmbito das Comemorações do 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, em Lagos, 10 de junho de 2025. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

O júri, reunido esta tarde em formato online, deliberou por unanimidade, destacando “o diversificado conjunto da sua obra e o grande contributo para o enriquecimento do património literário e cívico-cultural da língua portuguesa”, afirmou o Ministério da Cultura, Juventude e Desporto em comunicado.

Numa nota enviada às redações, é explicado que na fundamentação da decisão, o júri destacou ainda uma escrita “marcada por uma prosa poética densa”, que exploratemas como o passado ditatorial e a transição democrática em Portugal, a condição feminina, a emigração, os conflitos geracionais, as transformações sociais e o papel da memória coletiva na construção da identidade contemporânea.

A decisão de distinguir a autora de “O Dia Dos Prodígios” com o Prémio Camões, poucos dias depois de ter sido anunciada vencedora, na Áustria, do Prémio Austríaco de Literatura Europeia, que lhe será entregue, em Salzburgo, no próximo dia 27, reforça o estatuto de Lídia Jorge, se tal fosse necessário, como a mais importante e premiada escritora portuguesa da atualidade.

A autora, galardoada com o prestigiadíssimo Prémio Médicis, em França, que pela primeira vez foi atribuído a um autor de língua portuguesa, Lídia Jorge,foi ainda considerada em 2013, pela revista francesa “Le Magazine Literaire”, uma das “10 grandes vozes da literatura Europeia”, sendo agora distinguida com o Prémio Pessoa.

Lídia Jorge estreou-se com a publicação de “O Dia dos Prodígios” (1980), uma das obras mais emblemáticas da literatura portuguesa pós-revolução. Desde então, a sua escrita tem-se espraiado pelo romance, conto, ensaio, teatro, crónica e poesia, sendo os seus textos adaptados para teatro, televisão e cinema.

De entre os seus livros destacam-se “A Costa dos Murmúrios”, “O Vale da Paixão”, “O Vento Assobiando nas Gruas”, “Os Memoráveis”, “Estuário” e “Misericórdia”. Amplamente traduzida e publicada no estrangeiro, Lídia Jorge recebeu, para além do já referido Médicis, o Prémio ALBATROS da Fundação Günter Grass e o Prémio FIL de Literatura em Línguas Românicas de Guadalajara.

Relacionado

O que faz Anselm Kiefer com o peso da história?

O que faz Anselm Kiefer com o peso da história?

Ana Pina25 Ago
Memória, mitologia, literatura, música e paisagem. Tudo está interligado nas onze obras que o pintor alemão Anselm Kiefer, um dos grandes nomes da arte contemporânea europeia, expõe até 25 de outubro no Centro de Arte Hortensia Herrero, em Valência, Espanha.
Bienal de Arte de Veneza: E se adiássemos o fim do mundo?

Bienal de Arte de Veneza: E se adiássemos o fim do mundo?

Ana Pina21 Ago
Até 22 de novembro, a mais importante Bienal de Arte do mundo continua a espelhar o que nos incomoda, fascina, faz estremecer. De dúvidas, de emoção ou de puro deleite estético. Veneza viveu dias agitados na abertura, equilibrou-se, qual funâmbulo na corda da incerteza, e interpela-nos. É esse o papel da arte.