Bruxelas alerta que Portugal está a ficar para trás na adoção de tecnologias avançadas

Num relatório hoje divulgado, relativo ao cumprimento das metas do Programa da Década Digital, a Comissão Europeia refere que Portugal “dispõe de uma boa infraestrutura de conectividade em todo o território e ocupa uma posição de destaque nos serviços públicos digitais destinados aos cidadãos e às empresas”.

Bruxelas alerta que Portugal está a ficar para trás na adoção de tecnologias avançadas
EU Flags Are Lowered At Half Mast In Honor Of The Victims Of The Manchester Attack, Outside The EU Commission Headquarters In Brussels

A Comissão Europeia avisou hoje que Portugal está a ficar atrás dos restantes Estados-membros da União Europeia na adoção de tecnologias avançadas pelas empresas, advertindo que isso poderá comprometer a “competitividade digital do país”.

Num relatório hoje divulgado, relativo ao cumprimento das metas do Programa da Década Digital, a Comissão Europeia refere que Portugal “dispõe de uma boa infraestrutura de conectividade em todo o território e ocupa uma posição de destaque nos serviços públicos digitais destinados aos cidadãos e às empresas”.

“No entanto, o país enfrenta uma série de desafios para alcançar uma digitalização bem-sucedida nas empresas através de tecnologias avançadas, uma vez que continua atrás dos seus parceiros europeus na adoção de computação em nuvem [‘cloud computing’] e de Inteligência Artificial (IA) pelas empresas”, refere o executivo comunitário.

Apesar de reiterar que Portugal está a mostrar “progressos consistentes no seu ecossistema de inovação digital e de crescimento empresarial”, a Comissão Europeia avisa que os “esforços das autoridades portuguesas nesta área podem ser condicionados” pela “lenta adoção” de tecnologias avançadas nas empresas.

“Esta adoção reduzida poderá comprometer a competitividade digital do país, uma vez que as empresas com baixos níveis de digitalização não conseguem tirar pleno partido dos ganhos de produtividade proporcionados pelas ferramentas digitais, nem aproveitar as oportunidades de acesso a novos mercados ‘online’”, alerta.

Nas metas analisadas pela Comissão Europeia, refere-se que a taxa de adoção de IA nas pequenas e médias empresas (PME) portuguesas é de 11,54%, abaixo da média europeia de 19,95%, com um crescimento anual de 33,7% desde 2023, igualmente inferior ao que se regista no resto da UE (48%).

O mesmo se verifica relativamente às empresas com mais de 250 empregados: a taxa de adoção de IA em Portugal é de 49,15%, contra uma média europeia de 55,03%, registando-se um crescimento anual igualmente inferior (17,3% em Portugal, contra 33,7% na UE).

O cenário é parecido na adoção de tecnologias de nuvem: a taxa é de 34,11% nas PME, contra uma média de 46,69% na UE. Para as grandes empresas, a taxa de adoção é de 74,15%, contra 78,32% na UE.

Devido a estes dados, a Comissão Europeia considera que Portugal “precisa de acelerar os seus esforços de transformação digital para reduzir a distância em relação à média da UE”.

“Deve ser dada especial atenção às tecnologias de computação em nuvem e à IA, áreas em que tanto as taxas de adoção como os ritmos de crescimento são significativamente inferiores à média europeia”, indica o executivo.

No entanto, no que se refere aos serviços públicos digitais, Portugal surge na linha da frente da UE, com a Comissão Europeia a indicar que o desempenho do país nesta área dá um “contributo significativo para o cumprimento das metas do Programa da Década Digital da UE”.

A Comissão Europeia indica que a pontuação global de Portugal nos serviços públicos digitais para utilizadores nacionais é de 99,85 pontos em 100 (contra uma média europeia de 94,01), valor que desce para os 90 pontos quando os destinatários são as empresas, ainda assim acima da média europeia de 88,59.

Este relatório foi hoje divulgado no âmbito do balanço que é feito anualmente pela Comissão Europeia para ver se os Estados-membros estão a cumprir as metas estabelecidas no Programa da Década Digital, que visa garantir que a UE reforça a sua competitividade e soberania digital até 2030.

A nível europeu, a Comissão Europeia refere que tem havido progressos, designadamente a nível da cobertura 5G ou, ao contrário de Portugal, na adoção de tecnologias pelas empresas.

No entanto, adverte que há problemas que persistem, designadamente no que se refere aos semicondutores: a UE “só representa 9% do mercado global de semicondutores, longe da meta de 20% para 2030”.

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