Confiança nas notícias obtidas por IA em Portugal é de 24%

Pela primeira vez, "o relatório analisa de forma sistemática o papel dos 'chatbots' de inteligência artificial na relação dos cidadãos com a informação", lê-se no 12.º relatório anual produzido pelo OberCom – Observatório da Comunicação em parceria com Reuters Institute for the Study of Journalism (RISJ) da Universidade de Oxford.

Confiança nas notícias obtidas por IA em Portugal é de 24%
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A confiança nas notícias obtidas através de sistemas de inteligência artificial (IA) em Portugal é de 24%, abaixo da atribuída às notícias em geral, de acordo com o Digital News Report Portugal 2026 (DNRPT26) hoje divulgado.

Pela primeira vez, “o relatório analisa de forma sistemática o papel dos ‘chatbots’ de inteligência artificial na relação dos cidadãos com a informação”, lê-se no 12.º relatório anual produzido pelo OberCom – Observatório da Comunicação em parceria com Reuters Institute for the Study of Journalism (RISJ) da Universidade de Oxford.

“A confiança em notícias obtidas através destes sistemas situa-se nos 24%, acima das redes sociais (21%), mas muito abaixo da confiança atribuída às notícias em geral (51%) e aos motores de busca (40%)”, refere o estudo.

O uso de ‘chatbots’ “para fins noticiosos permanece reduzido, sendo utilizado sobretudo para resumir conteúdos, esclarecer dúvidas ou contextualizar informação, e não como substituto direto do jornalismo”, sendo que os usos “são coincidentes com tendências de exploração, descoberta e experimentação com a tecnologia”.

Os resultados “sugerem que a inteligência artificial funciona atualmente mais como camada adicional de mediação do que como alternativa às marcas noticiosas”.

O relatório também indica que os criadores digitais e influenciadores [‘influencers’] estão a ganhar relevância junto dos mais jovens.

“O estudo identifica igualmente o crescimento da importância dos criadores de conteúdos e influenciadores especializados em informação e atualidade. Entre os utilizadores que os acompanham, estes criadores são frequentemente percecionados como mais acessíveis, mais próximos e mais fáceis de compreender do que os meios tradicionais”, acrescenta.

Os media convencionais “continuam, contudo, a beneficiar de vantagens claras nos indicadores de confiança, imparcialidade e credibilidade”.

Os resultados do estudo “sugerem não uma substituição do jornalismo, mas uma reorganização do ecossistema informativo, especialmente junto dos públicos mais jovens”.

Relativamente aos pagamentos por notícias no digital, estes permanecem residuais em Portugal, o que reflete um grande desafio para os media portugueses.

“Apenas 8% dos portugueses afirmam ter pagado por notícias ‘online’ durante o último ano, valor que coloca o país entre os mercados europeus com menor propensão para financiar diretamente conteúdos jornalísticos”, destaca o estudo.

Apesar da reduzida dimensão da base de utilizadores, “os que pagam revelam comportamentos relativamente estáveis, assentes sobretudo em modelos de subscrição contínua”, remata.

O estudo, que integra dados de 48 mercados e mais de 97.000 inquiridos em todo o mundo, traça um retrato detalhado dos hábitos de consumo de notícias dos portugueses utilizadores de Internet, com amostra nacional representativa de 2.024 respondentes.

Os dados foram recolhidos entre 06 de janeiro e 20 de fevereiro de 2026.

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