Líder do FMI alerta para “momento crítico” da economia global

A forte probabilidade de o conflito no Médio Oriente não ter resolução em breve agrava as perspetivas da economia global, sobretudo dados os efeitos da subida do barril de petróleo e subsequentes tensões no mercado obrigacionista.

Líder do FMI alerta para “momento crítico” da economia global
Kristalina Georgieva FMI

A diretora geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta para o “momento crítico” que a economia mundial atravessa, sobretudo dada a dinâmica recente verificada no mercado obrigacionista e a subida dos preços do barril de petróleo. Como tal, pede aos governos mundiais que tomem medidas para lidar com a situação, ou, pelo menos, que não a agrave.

À chegada ao encontro desta semana entre ministros das Finanças e banqueiros centrais das maiores economias mundiais, o bloco conhecido como G7, Kristalina Georgieva mostrou a sua apreensão com a atual situação económica global, em que a investida militar dos EUA e Israel contra o Irão gerou o maior choque energético das últimas décadas.

Georgieva falou num “momento muito crítico” que obriga os governos nacionais a “concentrarem esforços em medidas económicas que possam aliviar os impactos do choque que estamos a viver”, referindo-se ao disparo nos preços da energia nos últimos dois meses.

A líder do FMI fez as declarações numa altura em que os mercados obrigacionistas penalizam os títulos de dívida soberanos com medos de novo aperto monetário causado pela subida da inflação em várias economias, como consequência deste choque energético global.

“As conversas que terão lugar nesta sala serão muito importantes para encontrarmos o caminho certo a seguir”, completou.

Os títulos do Tesouro dos EUA a 10 anos subiram mais de 3,6 pontos base (pb) no início de sessão de segunda-feira, chegando ao nível mais alto desde fevereiro do ano passado, com 4,631%, enquanto as bonds a 30 anos tocaram máximos de 2023 ao ultrapassarem uma yield de 5,12%. Recorde-se que, no caso das obrigações, as yields evoluem tendencialmente de forma inversa aos preços.

Também nos títulos a dois anos se registou uma subida expressiva, com as yields a tocarem máximos de mais de um ano ao chegarem a 4,11%.

Esta tendência verificou-se após o disparo na cotação do petróleo durante o fim-de-semana e que viu os preços do barril a chegarem a 111 dólares (95,4 euros) depois de novo episódio de violência no Médio Oriente, isto numa altura em que o cessar-fogo entre Teerão e Washington está preso por fios.

Também no Japão os títulos a 10 anos dispararam 10 pb até 2,739%, enquanto na Europa a Alemanha via uma subida de 2 pb para 3,183%. No Reino Unido, a incerteza política em torno de Keir Starmer já havia levado a uma subida durante a semana anterior, pelo que as yields até estão em ligeiro recuo no início desta segunda-feira, embora mantendo-se a níveis considerados elevados, com 5,169%.

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