O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, deixou esta quinta-feira algumas críticas à cobertura mediática referente à recente presença de Luís Montenegro na Alemanha, na abertura da quinta edição do Growth Forum, organizado pela Câmara de Comércio.
O evento centra-se nos acordos comerciais da União Europeia com o Mercosul e com a Índia e contou com a presença de Paulo Rangel e o encerramento de Paulo Portas. Esta conferência conta com o JE, Forbes Portugal e Forbes África Lusófona como media partners.
Na abertura da sua intervenção, Paulo Rangel lamentou que a recente presença de Luís Montenegro na Alemanha, onde esteve a 5 de maio num encontro bilateral, não tenha merecido uma cobertura mediática à altura da importância do momento. E deixou a farpa: “Com vários ex-primeiros-ministros, uma ida à Alemanha tinha aberto telejornais. Luís Montenegro falou para dois mil empresários e nesse encontro bilateral estaria 70% a 80% do PIB alemão.
“Situação geopolítica? É difícil mas pode trazer oportunidades”
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, considerou esta quinta-feira que a atual situação geopolítica é muito difícil mas que esse contexto e os seus efeitos, podem trazer oportunidades sobre no que diz respeito ao desenvolvimento da indústria da Defesa.
“A situação geopolítica é difícil”, começou por destacar Paulo Rangel, que considerou “evidente o arrefecimento na relação transatlântica com os EUA”. “Mas há efeitos positivos”, assegura. A UE, referiu, “terá mesmo que apresentar resultados, também na Defesa e sabemos que esta indústria é uma enorme oportunidade económica. Se formos capazes de aproveitar estas oportunidades, será extraordinário”.
Relativamente à implementação de acordos comerciais, com especial incidência no Mercosul e Índia, recordou aquela que poderia ter sido uma enorme oportunidade para Portugal: “Tivemos a possibilidade de ter um mercado comum com os EUA e isso teria tornado Portugal um país central na Europa, os Açores seriam ultracentrais nesse contexto. A administração Obama começou tarde nesse caminho e com Trump veio o protecionismo”, lamentou.
Paulo Rangel recordou que, ao longo de 25 anos, Portugal “apostou sempre no acordo Mercosul” já que “sempre considerámos urgente essa implementação, apesar da falta de visão estratégica do Parlamento Europeu”. Sobre a Índia, o ministro dos Negócios Estrangeiros: “Este acordo é extremamente importante e em termos de números estamos a falar de um mercado estratosférico e colossal”.
O governante considera que “estes acordos comerciais, de carácter livre, também criam um laço político e a partir daí há estabilidade, segurança e paz com o desenvolvimento de visitas e de intercâmbio. Há ameaças mas não temos que ter medo dessas ameaças”.