Financiamento da Comissão Europeia: das luvas eletrónicas aos estúdios de Hollywood

A Comissão Europeia anunciou no final do mês de junho a atribuição de 149 milhões de euros para financiar 83 PME e empresas em fase de arranque. Entre estas, contam-se várias empresas portuguesas.

Financiamento da Comissão Europeia: das luvas eletrónicas aos estúdios de Hollywood
Imagem Sound Particles Recebe Apoio Da Comiss(9283285)

A Comissão Europeia anunciou em finais de junho a atribuição de 149 milhões de euros para financiar 83 PME e empresas em fase de arranque que vão receber apoio financeiro e técnico no âmbito do projeto-piloto Accelerator do Conselho Europeu da Inovação (CEI), anteriormente conhecido como Instrumento para PME-Fase 2. Entre estas empresas, contam-se seis empresas portuguesas, que, tal como as demais, estão a desenvolver inovações disruptivas. A Winegrid, de Aveiro, é uma delas. Utiliza a inteligência artificial num sistema de sensores de fibra ótica para a monitorização em tempo real das propriedades do vinho durante a vinificação. Receberá 1,59 milhões de euros de financiamento.

“A estratégia para o financiamento obtido basear-se-á em três objetivos principais: Dar continuidade ao desenvolvimento e produção de soluções tecnológicas inovadoras para digitalização dos processos de produção vitivinícola em tempo-real; o reforço da equipa de colaboradores promovendo uma política de RH focada nas pessoas; e o reforço da expansão comercial e de proximidade com todos os parceiros nacionais e internacionais”, explica Rogério Nogueira, um dos fundadores da empresa, ao Jornal Económico.

Atualmente, a empresa encontra-se em fase de expansão em solo nacional, aumentando significativamente o número de clientes a utilizar o sistema Winegrid, e em fase de internacionalização, estando presente em França e Itália e contando entrar no mercado espanhol e chileno até ao final do ano. Alguns dos principais produtores vitivinícolas em Portugal e França já utilizam a solução Winegrid.
Também a Sound Particles, de Leiria, desenvolveu um software para áudio em 3D, com múltiplas aplicações em cinema, jogos de vídeo e música.

De acordo com a Comissão Europeia, receberá 1,2 milhões de euros de financiamento. O Sound Particles é um software áudio 3D, diferente de outros programas, e que utiliza conceitos de computação gráfica aplicados ao som, permitindo entre outras coisas, simular milhares de sons em simultâneo, sendo utilizado em todos os grandes estúdios de Hollywood, e em filmes como “Carros 3”, “Gru o mal disposto 3”, “Wonder Woman”, “Guardiões da Galaxia 2”, “Game of Thrones”, “Ready Player One”, “Smurfs”, “The Great Wall” ou “Independence Day”. “Na prática, vamos continuar o desenvolvimento do software e do negócio para passarmos de um produto de nicho de mercado para um produto de massas. Trabalhamos com grandes produções de Hollywood mas queremos “descer na pirâmide” e conquistar outros mercados”, explica o fundador da empresa, Nuno Fonseca. Hoje em dia, 60% da faturação vem dos Estados Unidos. Os outros 40% dividem-se entre Inglaterra, Alemanha, Canadá, Noruega ou França.

O Sound Particles começou como um projecto pessoal do fundador, em 2012. Na época tinha terminado o doutoramento e a ideia de juntar a computação gráfica ao som. Mais tarde, em 2014, foi a uma conferência em Los Angeles e, antes de partir, enviou alguns emails a responsáveis dos estúdios de cinema norte-americanos. O estúdio de George Lucas convidou-o a fazer uma apresentação para a equipa e, no espaço de seis meses, acabou a dar palestras na Universal, Fox, Sony, Paramount, entre outras. A Nuada, de Braga, desenvolveu uma luva eletrónica inteligente que permite levantar pesos até 40 kg protegendo as mãos do utilizador através de um sistema de tendões artificiais. Destina-se tanto a idosos ou vítimas de AVC como a trabalhadores em atividades pesadas (linhas de montagem, construção civil, etc.). Receberá 1,7 milhões de euros de financiamento. “Com este capital vamos conseguir finalizar o processo de desenvolvimento da luva com base nos últimos testes e concluir o processo de industrialização. As luvas vão ser produzidas sobretudo em Portugal”, diz Filipe Quinaz, um dos fundadores da empresa.

Um das utilizações principais é na área médica, sendo o produto, nesse caso, orientado para pessoas idosas ou que tenham artrite e pacientes que tiveram um acidente vascular cerebral (AVC). Outro dos focos é o sector que engloba actividades exigentes (trabalhadores em linhas de montagem ou na construção civil, por exemplo), podendo a luva ser utilizada para aumentar o conforto, a segurança e a produtividade desses profissionais e redução das lesões. “Esta luva, “segura” e “leve”, utiliza têxteis finos, respiráveis, flexíveis, inteligentes e personalizáveis e possibilita devolver a função da mão a pessoas com dor ou falta de força”, acrescenta o responsável. A Europa e os Estados Unidos são prioridade para a comercialização do produto. A MyDidimo, de Leça da Palmeira, a Pro Drone, de Lisboa. e a Cleverly, também de Lisboa, foram outras das empresas portuguesas financiadas através do Horizonte 2020.

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