A combinação de chuva abundante e vento manteve o sistema elétrico nacional ancorado nas energias renováveis durante o mês de março, com destaque para o papel determinante da hídrica e o contributo relevante da eólica.
De acordo com dados do mais recente relatório de mercado de energia do ComparaJá, a produção renovável assegurou 76% do consumo elétrico em março, num mês marcado por condições meteorológicas particularmente favoráveis à geração hídrica.
A energia hídrica voltou a destacar-se como a principal fonte renovável, beneficiando de níveis elevados de precipitação e de maior disponibilidade hídrica nas barragens. O índice de produtibilidade hidroelétrica atingiu 1,27, acima da média histórica, confirmando o impacto direto da chuva no desempenho do sistema.
No conjunto do primeiro trimestre, esta tecnologia já representou cerca de 38% da produção renovável, consolidando-se como o principal motor da geração elétrica em Portugal Continental.
Apesar de apresentar um desempenho ligeiramente abaixo da média histórica em março, com um índice de produtibilidade de 0,89, a energia eólica continuou a desempenhar um papel central no abastecimento elétrico.
No acumulado do trimestre, o vento assegurou cerca de 32% da produção renovável, evidenciando a sua importância estrutural no sistema energético nacional.
A leitura conjunta dos dados aponta para uma forte complementaridade entre hídrica e eólica, dois pilares que, em conjunto, sustentaram o sistema elétrico ao longo do mês. Enquanto a chuva reforçou a capacidade de produção das barragens, o vento garantiu uma base consistente de geração, mesmo com alguma variabilidade.
Este equilíbrio permitiu manter elevados níveis de incorporação renovável, mesmo num contexto em que a produção solar ficou abaixo da média sazonal.
O desempenho de março demonstra como as condições meteorológicas continuam a ser determinantes para o sistema elétrico, mas também evidencia a crescente robustez do mix renovável em Portugal.
Com a hídrica e a eólica a assumirem o papel de “motores do mês”, o sistema conseguiu assegurar uma elevada quota de energia limpa, reforçando a trajetória de descarbonização e reduzindo a dependência de fontes fósseis.
Num inverno marcado por chuva e vento, foram precisamente esses dois fatores naturais que garantiram a estabilidade e o elevado desempenho do sistema elétrico nacional.