“A IA não traz só benefícios para as organizações”

"Fala-se pouco de literacia digital. temos no mercado gerações completamente diferentes e todas têm o direito de ser informadas", disse hoje Duarte Conceição da Contisystems.

“A IA não traz só benefícios para as organizações”
Contisystems

A Inteligência Artificial (IA) vai trazer benefícios para as empresas, mas há um outro lado desta nova vaga tecnológica que acarreta riscos.

“A IA não traz so benefícios e eficiências para as organizações, há outros atores que também usam tecnologias” para cometer fraude digital, avisou hoje Duarte Conceição, presidente da Contisystems, empresa especializada em serviços de comunicações e digitalização de processos.

Deu o exemplo de fraudes conhecidas como o ‘phishing’ ou o ‘man in the middle’, em que um ator malicioso faz-se passar, por exemplo, por fornecedor para cometer fraude.

“Fala-se pouco de literacia digital. Temos várias gerações a quem os bancos têm de endereçar comunicações”, com gerações muito diferentes a receberem as mesmas comunicações, apesar de terem literacia digital muito diferente.

O desafio passa por garantir “experiência consistente nestes canais porque temos no mercado gerações completamente diferentes e todas têm o direito de ser informadas. Podemos usar a tecnologia para hiperpersonalizar a experiência do cliente”, disse o gestor esta terça-feira no Fórum Banca 2026, organizado pelo Jornal Económico que decorreu em Lisboa.

Na banca tradicional, destaca que existe “muitas vezes a tentação de passar diretamente para o digital e não repensar processos”.

No caso dos bancos 100% digitais, têm a vantagem de terem nascido focados na “experiência do cliente””.

“O ser humano procura soluções fáceis. Apesar desta conveniência, ainda há alguns processos que nos obrigam a interagir com múltiplos canais”, afirmou.

Dá o exemplo de quando um gestor de conta entra em contacto com um cliente para tratar de algo, enviando um documento, que depois é impresso, assinado, digitalizado e reenviado. “É um processo físico transposto para o mundo digital” e não um processo 100% digital, sinalizou. “No final do dia, não há uma abordagem diferente”.

Destacou assim a necessidade de as comunicações terem autenticidade e integridade.

“Mais do que regulação é uma questão cultural. Há atores neste mercado que resistem”, dando o exemplo das cartas de PARI e PERSI, de incumprimento ou pré-incumprimento, que continuam a ser enviadas em papel, em carta registada.

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