25 anos depois, União Europeia aprova acordo comercial com o Mercosul

O acordo comercial com a América Latina conseguiu a maioria qualificada necessária, mesmo com França, Polónia, Áustria, Irlanda e Hungria a expressarem a sua oposição. Apoio da Itália foi fundamental para retirar aos opositores a possibilidade de bloqueio.

25 anos depois, União Europeia aprova acordo comercial com o Mercosul
FILE PHOTO: A general view of the hemicycle at the European Parliament in Brussels, Belgium, February 24, 2016. REUTERS/Yves Herman/File Photo

Uma maioria qualificada dos países membros da União Europeia aprovou esta sexta-feira o tão aguardado acordo comercial do bloco com o bloco sul-americano do Mercosul, referem as agências internacionais. França, Polónia, Áustria, Irlanda e Hungria expressaram a sua oposição, enquanto a Bélgica se absteve. A Itália votou a favor, após forçar um adiamento no mês passado – mas foi a votação favorável dos italianos que se tornou fundamental: sem eles, o (semi)bloco que se opunha teria conseguido voltar a bloquear uma assinatura que já será aposta com 25 anos de atraso.

As capitais da União agora têm até meio desta tarde de sexta-feira para apresentarem objeções e formalizar a votação. Este chamado ‘procedimento escrito’ dá apoio político à aprovação informal entregue pelos embaixadores em Bruxelas.

Salvaguardas adicionais para os mercados agrícolas, que entrariam em vigor caso haja um aumento nas importações do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, também obtiveram a aprovação dos embaixadores da União, disseram fontes do jornal ‘Politico’.

O acordo União Europeia-Mercosul criará a maior área de livre comércio do mundo, abrangendo cerca de 700 milhões de pessoas. Do ponto de vista de Bruxelas, o acordo é uma grande vitória geopolítica perante a crescente participação da China no comércio e na influência na América Latina.

À medida que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, redobra a aposta na imposição de tarifas ao mundo, o tratado também ocorre num momento em que tanto a Europa como outros países, incluindo o Brasil, tentam conseguir maior previsibilidade. Mas, um dos temas que se mantém obscuro é precisamente a forma como Donald Trump reagirá ao acordo – não sendo certo se irá ou não impor tarifas adicionais para impedir o bom andamento da nova zona de livre comércio.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tem prevista uma viajem ao Paraguai – país que agora dirige o Mercosul em substituição do Brasil – ana próxima semana para assinar o acordo. Mas o porta-voz da Comissão, Olof Gill, não confirmou os planos de viagem. “No momento, estamos focados nos procedimentos que acontecem no Conselho da União. Vamos lidar com os próximos passos assim que estiverem concluídos”, disse ele.

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