Trump no Reino Unido: grandes esperanças na frente comercial

Enquanto faz ‘campanha’ por Boris Johnson, o presidente dos Estados Unidos acena com um possível acordo comercial. Coincidência ou uma tentativa de condicionar os britânicos? O mayor de Londres parece optar pela segunda hipótese.

Trump no Reino Unido: grandes esperanças na frente comercial
Kevin Lamarque/REUTERS

Em visita ao Reino Unido, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conheceu a Rainha e o futuro rei, disse umas coisas pouco agradáveis sobre a uma das suas noras e manteve em alta o confronto com alguns membros do Partido Trabalhista, nomeadamente o presidente da câmara de Londres, Sadiq Khan, cidade que está cheia de cartazes e outras manifestações de repúdio pela visita.

Mas, para além desta espuma dos dias, o grande tema por trás desta visita continua a ser o acordo comercial – ou um eventual acordo comercial – que permita suaviza o Brexit, cada vez mais próximo de suceder sem qualquer acordo com a União Europeia.

O que quer que venha a suceder depois do Brexit será sempre menos mau se o Reino Unido puder contar com um acordo geral satisfatório com os Estados Unidos, mas os analistas não só ainda não têm a certeza que esse acordo venha a existir, como afirmam, alguns deles, que a espécie de campanha que Trump está a fazer em favor de Boris Johnson enquanto candidato a sucessor de Theresa May pode ser uma forma de condicionar as escolhas dos britânicos através da ligação entre os dois assuntos. Ou, dito de forma mais clara: Trump pode estar a passar a mensagem segundo a qual só se ‘atravessará’ por um acordo se a política interna britânica seguir no sentido que a Casa Branca quer, ou seja, a eleição de Johnson para líder dos conservadores e primeiro-ministro, pelo menos até às próximas eleições.

Pelo meio, Trump, que também fez campanha em favor de Nigel Farage, líder do Partido Brexit – que acaba de ganhar as eleições europeias na ilha e juntar armas com o italiano Matteo Salvini, um dos amigos europeus de Steve Bannon – ex-conselheiro de Trump envolvido numa espécie de cruzada em favor da extrema-direita europeia.

É interferência a mais em assuntos que não lhe dizem respeito, como ficou razoavelmente explícito pelas palavras de Sadiq Khan, que comparou a linguagem de Trump à dos fascistas do século XX, fracamente representados no Reino Unido (apesar de Oswald Mosley) mas bastamente célebres em Itália.

Tal como havia sucedido na visita anterior de Trump ao Reino Unido – daquela vez considerada uma visita de trabalho, sem direito à convivência com a Rainha – Khan tem sido o líder da revolta britânica pela presença do presidente dos Estados Unidos no país. E se da outra vez, em julho do ano passado, havia um balão que simbolizava Trump (e que o Museu de Londres quer comprar) a pairar sob os céus, desta vez o mayor de Londres optou por incendiar as redes sociais, que se têm ‘divertido’ com o assunto.

Entretanto, e apesar de a noite de ontem ter sido preenchida com uma reunião entre empresários britânicos e a comitiva dos seus homólogos norte-americanos que acompanhou Trump, não há qualquer notícia sobre o acordo entre as duas partes que vá além da mera possibilidade.

 

Relacionado