Porque é que a compra de pizzas dispara em Washington em momentos de conflito?

De cada vez que os EUA vão intervir militarmente em algum ponto do globo, o consumo de pizzas dispara na capital norte-americana. É assim há 35 anos.

Porque é que a compra de pizzas dispara em Washington em momentos de conflito?
pentagono

‘Top secret’ em Washington? Basta estar atento às pizzarias para saber que algo se passa. Não se aprende nas universidades, mas é crucial para jornalistas de política na capital norte-americana. “Regra básica para jornalistas: monitorizem sempre as pizzas”, disse o jornalista Wolf Blitzer em 1990.

Trinta e cinco anos depois, a Pizzato Pizza recebeu uma série de pedidos tardios na madrugada do sábado passado.

Localizada em Arlington, Virginia, na mesma zona onde fica o Pentágono, a sede do ministério da Defesa dos EUA, os pedidos tiveram lugar apenas uma hora depois de os EUA bombardearem a capital da Venezuela durante 30 minutos.

Horas mais tarde, soube-se que a força especial Delta Force tinha capturado o presidente Nicolas Maduro que vai responder num tribunal de Nova Iorque por acusações de tráfico de droga e de armas.

A ‘teoria da pizza’ continua a surtir efeito: de cada vez que os EUA preparam ou realizam uma intervenção militar, ou os seus aliados, o Pentágono encomenda pizzas devido ao trabalho tardio e a impossibilidade dos seus membros saírem do edifício em momentos cruciais.

A atividade das pizzarias na região do Pentágono é monitorizada pela plataforma ‘Pentagon Pizza Index’ há décadas.

Este barómetro tem prenunciado grandes eventos mundiais desde os anos 80, incluindo a invasão do Panamá pelos EUA em 1989, a operação Tempestade do Deserto no Kuwait em 1991, invasão do Kuwait, ou os mais recentes ataques de Israel ao Irão.

Exemplo: na noite de 1 de agosto de 1990, a CIA encomendou 21 pizzas numa única noite antes da invasão iraquiana do Kuwait, tendo estabelecido então um novo recorde.

Este barómetro tem sido um “surpreendente e fiável indicador de eventos ‘sísmicos’ globais – desde golpes de estado a guerras – desde a década de 80”, disse o jornalista da “Economist” Alex Selby-Boothroyd em junho quando a plataforma detetou um disparo na atividade das pizzarias na capital norte-americana devido ao bombardeamento do Irão por Israel.

Por outro lado, se os inimigos dos EUA querem antecipar movimentações, basta ficar atento às pizzarias junto do Pentágono, ou à própria plataforma, destaca a “Newsweek”.

Há seis meses, quase todas as pizzarias perto do Pentágono registaram um “grande aumento de atividade”, incluindo We the Pizza, Domino’s Pizza, District Pizza Palace e Extreme Pizza.

Uma hora depois da publicação, a televisão pública iraniana confirmava explosões na capital Teerão fruto dos ataques de Israel.

Os EUA não estiveram diretamente envolvidos, mas o presidente Trump confirmou mais tarde que estava a par da operação.

Mas a plataforma não se limitar a analisar pizzarias. Em junho, notou que três horas depois do ataque, um bar gay próximo do Pentágono registava pouco movimento para uma quinta-feira à noite, apontando que se devia a uma “noite movimentada no Pentágono”, segundo a “France Presse”.

E os gostos do pessoal do Pentágono também vão variando ao longo dos anos. Em 2024, durante os ataques de Israel ao Irão, a plataforma apontou que tinha havido um disparo nas encomendas de restaurantes de fast food na área, mas sem encomendas de pizzas.

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