Celebrados 10,5 mil contratos de crédito à habitação ao abrigo da garantia estatal para jovens

Até junho as instituições bancárias que aderiram a este regime utilizaram, no primeiro semestre, um montante de garantias correspondente a 27% do total atribuído pelo Estado. 

Celebrados 10,5 mil contratos de crédito à habitação ao abrigo da garantia estatal para jovens
Estate,Agent,Shaking,Hands,With,Customer,After,Contract,Signature

No primeiro semestre de 2025, foram celebrados 10,5 mil contratos de crédito à habitação ao abrigo deste regime, no montante global de dois mil milhões de euros, revelou o Banco de Portugal, esta quinta-feira.

Estes contratos corresponderam a 13% do número total e a 17% do montante total concedido. Relativamente ao crédito para aquisição de habitação própria e permanente, estes créditos representaram 21% do número de contratos e 23% do montante de crédito.

Neste período, 53% dos novos contratos celebrados por mutuários elegíveis2 recorreram à garantia, representando 56% do montante concedido a este segmento.

Até junho as instituições bancárias que aderiram a este regime utilizaram, no primeiro semestre, um montante de garantias correspondente a 27% do total atribuído pelo Estado.

No entanto, a utilização da garantia foi heterogénea: algumas instituições usaram mais de 50% do limite atribuído, enquanto outras não atingiram 10%.

A concessão de crédito ao abrigo da garantia do Estado concentrou-se sobretudo nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, destacando-se, em termos absolutos, os concelhos de Sintra e Vila Nova de Gaia.

O montante médio dos contratos celebrados ao abrigo do regime da garantia do Estado manteve-se estável ao longo do primeiro semestre de 2025, atingindo 194 mil euros no final do período. Trata-se de um valor superior ao montante médio de 180 mil euros observado para o crédito a mutuários elegíveis que não recorreram à garantia e de 151 mil euros observado para o total do crédito à habitação.

O Banco de Portugal analisou indicadores  que incluem o montante, o número de contratos de crédito e algumas métricas relevantes na concessão de crédito — nomeadamente o rácio loan-to-value (LTV), o rácio debt service-to-income (DSTI) e a maturidade dos contratos.

Os contratos abrangidos pela garantia do Estado registaram um rácio LTV médio de 99%, superior ao rácio de 82% observado para os mutuários elegíveis que não aderiram ao regime de garantia. O rácio LTV médio do total do crédito à habitação aproximou-se dos 75%, acentuando a tendência de subida observada desde o segundo semestre de 2024. Em dezembro de 2024 o LTV médio atingia 70%, revela o Banco de Portugal.

Por outro lado, em junho de 2025, a taxa de esforço (DSTI efetivo) dos mutuários com garantia do Estado foi de 35%, quatro pontos percentuais acima da média do total das novas operações de crédito à habitação e cinco pontos percentuais superior à dos mutuários elegíveis que não recorreram à garantia .

Apesar da descida das taxas de juro desde junho de 2024 e do aumento do rendimento real observado nos últimos anos, a taxa de esforço aumentou no primeiro semestre deste ano, refletindo o acréscimo nos créditos concedidos ao abrigo da garantia, refere o banco central.

No mês de junho, a maturidade média dos novos contratos de crédito ao abrigo da garantia do Estado manteve-se constante, em 37 anos e oito meses, um ano acima da dos contratos celebrados por mutuários elegíveis que não aderiram a esta medida. O total dos contratos de crédito à habitação apresentou uma maturidade média de 31 anos e oito meses.

Este regime de garantia do Estado, com utilização material a partir de janeiro de 2025, destina-se a crédito à habitação própria e permanente concedido a jovens com idades até aos 35 anos. Prevê a concessão às instituições de crédito de garantia do Estado de até 15% do valor de transação do imóvel em caso de financiamento superior a 85% deste valor. No limite, para financiamento de 100% do valor do imóvel, o mutuário não entra com capital próprio para a aquisição.

O Governo aprovou esta semana o reforço em 350 milhões de euros da garantia pública para a compra de casa por jovens até aos 35 anos, elevando o valor atribuível para 1.550 milhões de euros, segundo um despacho publicado.

No mesmo despacho, o Ministério das Finanças autorizou também o pedido do BPI para um acréscimo de 100 milhões de euros do valor que lhe tinha sido atribuído. Além do BPI, também a Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Mafra pediu um montante adicional de 1,8 milhões de euros.

 

Relacionado

Assimetria

Assimetria

Pedro Lino, Economista29 Mai
Os receios em torno da guerra afastaram os investidores mais cautelosos, mas os de longo prazo estão a colher os rendimentos da sua paciência e estratégia.