O senador republicano da Carolina do Sul Lindsey Graham – advogado, militar na reforma e firme apoiante de Donald Trump – aconselhou a administração da Casa Branca a impor tarifas à Noruega em retaliação pela decisão do fundo soberano do país de desinvestir na Caterpillar. O fundo, que teve sempre nas suas opções de investimento critérios de idoneidade política e ambiental, entre outras, decidiu desinvestir na empresa norte-americana depois de saber do seu envolvimento na demolição de propriedades palestinianas em Gaza e na Cisjordânia. Graham propõe ainda a suspensão dos vistos norte-americanos para os dirigentes do fundo e de outras organizações que tenham o mesmo tipo de pruridos em investir nas empresas por razões de divergências geopolíticas.
A empresa que fabrica equipamentos pesados foi alvo de uma sugestão de desinvestimento por parte do fundo, avaliado em dois biliões de dólares. O fundo soberano da Noruega, o Norges Bank Investment Management, opera sob mandato estabelecido pelo parlamento norueguês, com orientações éticas sobre questões que vão desde as minas terrestres às alterações climáticas. O fundo detinha aproximadamente 2,1 mil milhões de dólares em ações da Caterpillar em 30 de junho. A decisão do fundo de desinvestir na Caterpillar baseou-se em preocupações éticas relacionadas com o envolvimento da empresa no conflito israelo-palestiniano.
Não é a primeira vez que o senador Graham propõe medidas do género. No passado, aliados de Trump no Congresso levaram à implementação de medidas executivas contra entidades que não estão alinhadas com as opções da administração. Por exemplo, recorda a imprensa norte-americana, Trump pediu ao presidente executivo da Intel, Lip-Bu Tan, que se demitisse depois de o senador republicano Tom Cotton ter questionado publicamente o conselho da empresa sobre os investimentos em fabricantes chineses de semicondutores. Trump elogiou posteriormente Tan quando a Intel concordou em ceder aos EUA uma participação na empresa.
As tarifas e restrições de vistos propostas fazem parte de uma estratégia geopolítica mais ampla que tem sido uma marca da administração Trump. Os EUA há muito que se envolvem em disputas internacionais sobre diversas questões, incluindo comércio, imigração e reivindicações territoriais – deixando ‘transbordar’ as suas opões políticas para a economia.
As tarifas são, aliás, e em primeira instância, um instrumento de combate político, como ficou bem claro esta semana: a administração dos EUA ameaçou a União Europeia com tarifas adicionais se o bloco não deixasse de “perseguir” as empresas tecnológicas norte-americanas instaladas no mercado interno dos 27.
O governo dinamarquês manifestou ainda preocupação com as ações dos aliados de Trump na Gronelândia, onde os EUA têm defendido a anexação do território. O Ministério dos Negócios Estrangeiros dinamarquês convocou o embaixador interino dos EUA em Copenhaga para protestar contra estas ações, sublinhando que os EUA respeitam o direito do povo da Gronelândia de determinar o seu próprio futuro.