Instabilidade política no Bangladesh pode gerar turbulência junto do sector do vestuário

Entre os anos fiscais de 2020 a 2022, as exportações de vestuário, no Bangladesh, passaram de 27,9 para os 42,6 mil milhões de dólares, de acordo com os dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Instabilidade política no Bangladesh pode gerar turbulência junto do sector do vestuário
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A instabilidade política que se vive no Bangladesh gera preocupação junto de um dos gigantes empresariais do sector do vestuário a H&M, diz a Reuters. A incerteza face ao peso que o país tem no sector do vestuário, ao nível mundial, pode trazer consequências não só para a economia do país, dado o peso do vestuário nas exportações, como também para as empresas que têm as suas cadeias de produção dependentes deste país.

Refira-se que o sector do vestuário foi muito importante no desenvolvimento económico do Bangladesh, ao ponto de o tornar uma das referências mundiais no sector, como salienta o Fórum Económico Mundial.

Por exemplo, em 2022, o Bangladesh fabricou 20% das t-shirts de algodão exportadas ao nível mundial, de acordo com o Fórum Económico Mundial.

A H&M é uma das empresas que tem exposição ao Bangladesh, tendo em conta que depende de cerca de mil fábricas localizadas no país, refere a Reuters.

Entre as empresas que dependem também do Bangladesh estão por exemplo a GAP, Primark, C&A, Zara e Marks & Spencer.

Primeira-ministra demitiu-se e fugiu do país depois de vaga de violência

O mais recente desenvolvimento político no país traduziu-se na demissão da primeira-ministra, Sheikh Hasina, e da sua fuga do país.

Os confrontos que têm existido no Bangladesh provocaram 150 mortos em julho, referiu a Reuters. A situação foi desencadeada depois de um grupo de estudantes ter reivindicado o fim de um sistema de quotas em cargos públicos. Em seguida existiram reivindicações para a saída de Sheikh Hasina do cargo de primeira-ministra do país, que foi eleita para um novo mandato em janeiro, numa eleição boicotada pela oposição, referiu a Reuters.

Esta instabilidade política pode trazer também consequências para a economia do Bangladesh. Isto porque as exportações de vestuário tem vindo a aumentar ao longo dos últimos tempos. Entre os anos fiscais de 2020 a 2022, passou de 27,9 para os 42,6 mil milhões de dólares, de acordo com os dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O Fórum Económico Mundial calcula que 84% das receitas vindas da exportação do Bangladesh veem do têxtil. A organização sublinha que o sector emprega quatro milhões de euros, tem mais de 3.500 fábricas, e exporta para 167 países.

“O Produto Interno Bruto (PIB) do Bangladesh cresceu de 18 mil milhões de dólares, em 1980, para os 460 mil milhões de dólares, em 2022, e está atualmente entre os mais importantes países no que diz respeito a exportações de têxtil e de vestuário”, acrescentou o Fórum Económico Mundial.

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