José Manuel Diogo, Diretor da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira

Viva Camões! Viva Montenegro!

Este não é apenas um projeto de infraestrutura, mas um estratégico instrumento de política externa e econômica, que tem o poder de transformar Portugal para sempre.

A construção do aeroporto Luís de Camões tem um potencial muito maior de atrair mais turistas a Portugal ou permitir negócios de desenvolvimento imobiliário. No mundo atual, o aeroporto é uma questão de sobrevivência nacional. Só por causa dele este Governo já valeu a pena.

O Luís de Camões é essencial para a economia europeia (e por maioria de razão a nossa), e será verdadeiramente revolucionário o Brasil, ajudando a fortalecer o seu papel na arena global e reconfigurando os equilíbrios geopolíticos através de um eixo económico Norte-Sul.

Um novo aeroporto, moderno e com capacidade intercontinental, vai ampliar significativamente a ponte entre a Europa e a América Latina e iniciar uma nova era geopolítica.

Ao oferecer uma infraestrutura aeroportuária avançada e capaz de manejar um volume maior de voos diretos entre o Brasil e a Europa, Lisboa pode se tornar um ponto de trânsito crucial para viajantes e mercadorias, e também para África e Ásia, aproveitando a localização geográfica de Portugal.

Esta expansão das rotas aéreas e o aumento da capacidade poderiam facilitar um fluxo maior de turismo, negócios e investimentos entre o Brasil e a Europa, potenciando o Brasil como um ator econômico global mais influente. Com acesso mais direto e eficiente ao mercado europeu, as empresas brasileiras vão expandir sua presença internacional, aumentando as exportações de produtos de alta qualidade e tecnologia.

Sede de um aeroporto de classe mundial, facilitando uma maior conectividade, Portugal, pequeno país com uma das melhores infraestruturas de transportes a nível mundial, pode se afirmar como um centro de logística e de negócios internacional, influenciando decisivamente os fluxos comerciais e financeiros no eixo Norte-Sul.

Esta mudança de paradigma não só beneficiaria as relações bilaterais entre Brasil e Portugal, mas também poderia posicionar Lisboa como um centro nevrálgico para a entrada de investimentos massivos brasileiros na Europa, fomentando uma nova dinâmica econômica e geopolítica que transcende a tradicional orientação Oeste-Leste das relações econômicas globais.

Este não é apenas um projeto de infraestrutura, mas um estratégico instrumento de política externa e econômica, que tem o poder de transformar Portugal para sempre, ajudar o Brasil a encontrar esse “país do futuro” e, mais que tudo, a reforçar uma visão de colaboração económica Norte-Sul mais robusta e equilibrada.

O aeroporto Luís de Camões recoloca Portugal e a língua portuguesa no centro do planisfério. Todas as restantes polémicas são argumentos menores. Viva Montenegro!

O autor assina esta coluna quinzenal também na qualidade de fundador da Associação Portugal Brasil 200 anos.

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