“É inútil tentar substituir energias fósseis por renováveis sem sermos eficientes”, alerta presidente da Solar Impulse Foundation

"Desperdiçamos globalmente três quartos da energia produzida. Não apenas devido a maus hábitos, mas por causa de todos os sistemas e infraestruturas antigos e ineficientes", alertou Bertrand Piccard, presidente da Solar Impulse Foundation, durante o 'Innovation Summit Paris 2024' da Schneider Electric, evento em que o JE marcou presença.

“É inútil tentar substituir energias fósseis por renováveis sem sermos eficientes”, alerta presidente da Solar Impulse Foundation
Schneider Electric Innovation Summit_2024 1

Há quatro anos, Portugal registou o preço de energia solar mais baixo do mundo, de acordo com dados do Ministério do Ambiente e da Ação Climática relativos a agosto de 2020. Esse recorde foi, entretanto, batido pela Arábia Saudita. A corrida pelas energias renováveis nos vários cantos do mundo foi um dos pontos levantados no debate ‘IOT Powering the Digital Economy: New Energy Landscape’, durante o ‘Innovation Summit Paris 2024’ da Schneider Electric.

No ano passado, a China construiu mais painéis solares do que qualquer outro país no total. “É um pouco paradoxal. “Mataram” a indústria solar europeia, mas salvaram o mundo ao mostrar que a energia solar pode ser mais barata do que qualquer outra coisa”, analisou Bertrand Piccard, presidente da Solar Impulse Foundation, sobre as preocupações demonstradas pela governação europeia perante o crescimento colossal da indústria chinesa de painéis solares.

“Todos os países querem ser independentes do ponto de vista energético e mais competitivos, e a única forma de o conseguir é através da eficiência energética e das energias renováveis”, acrescentou, usando Portugal como exemplo de produtor de energia solar. “Em Portugal, a eletricidade solar custa 1,5 cêntimos por kWh. Recentemente, os Emirados bateram o preço de um cêntimo por kWh”.

“Mesmo que compremos os painéis solares da China, na Europa produzimos eletricidade mais barata e somos muito mais competitivos do que combustíveis fósseis, ou carvão ou gás importados da Rússia”.

Piccard sublinhou o papel do país asiático na aceleração do processo de transição energética global com a influência na quebra dos preços: “Não estaríamos neste ponto sem a China”. Este responsável alertou, ainda, para os problemas de eficiência no processo de produção de energia, que associa ao obsoletismo de parte das infraestruturas da cadeia.

“Vivemos num mundo de desperdício. Se tentarmos substituir as energias fósseis por renováveis sem sermos eficientes, sem reduzir o consumo, é inútil. Desperdiçamos globalmente três quartos da energia produzida. Não apenas devido a maus hábitos, mas por causa de todos os sistemas e infraestruturas antigos e ineficientes. Quando desperdiçamos água, também desperdiçamos energia”, alertou.

“Temos de nos tornar eficientes para reduzir o consumo de energia nos edifícios, nas indústria, nos data centres, na agricultura, em tudo”, sublinhou, remetendo para as renováveis.

“Concentramo-nos em produzir mais em vez de consumir menos e, na produção que queremos fazer, esquecemo-nos de muitos tipos diferentes de energias renováveis. Por isso, acabamos por falhar o objetivo. Falhamos o facto de podermos ter energia barata, porque as energias renováveis são muito mais baratas em quase todo o mundo, e se tivermos energia mais barata, produzida localmente, com empregos locais e a um preço mais barato, temos mais competitividade”, explicou, revelando que, há 20 anos, a energia solar era 40 vezes mais cara.

O ‘Innovation Summit’ regressa ao Paris Expo Porte de Versailles seis anos após o último evento, reunindo parceiros e empresa de várias indústrias – data centers, energias renováveis, entre outras.

Relacionado