Theresa May: ex-primeira-ministra vai deixar Parlamento britânico 27 anos depois

A antiga primeira-ministra, ‘backbencher’ desde que saiu de Downing Street, vai deixar de ser deputada nas próximas eleições, depois de ter liderado o país numa das fases mais difíceis da sua história recente.

Theresa May: ex-primeira-ministra vai deixar Parlamento britânico 27 anos depois
Dylan Martinez/REUTERS

A ex-primeira-ministra Theresa May deixará o cargo de deputada nas próximas eleições gerais após 27 anos no Parlamento, tornando-se uma das conservadoras de maior destaque a juntar-se a uma ‘onda’ de saídas da Câmara dos Comuns. Em comunicado, a deputada de Maidenhead disse que quer concentrar-se em causas que lhe são próximas, incluindo o seu trabalho na Comissão Global sobre Escravidão Moderna e Tráfico de Pessoas.

May, que foi eleita pela primeira vez em 1997, ‘herdou’ (sem o recurso a eleições antecipadas) a posição de primeiro-ministro de David Cameron e liderou o país ao longo do penoso período de debate do Brexit. Nesse quadro, liderou uma espécie de ‘guerrilha’ institucional com Bruxelas de que resultou um acordo – que demorou muitos meses a ser conseguido – que não foi do agrado de nenhuma das partes e que acabou mesmo por ditar o seu afastamento – mais uma vez sem recurso a eleições, em favor de Boris Johson.

Nesse contexto, foi uma primeira-ministra ‘mal amada’: acusada de ser demasiado branda pelos ortodoxos do Brexit e demasiado impositiva pelos que não apoiavam a saída da União Europeia, Theresa May nunca conseguiu estabelecer um equilíbrio que lhe permitisse sequer colocar em prática as suas opções. E acabou por ser a linha mais dura a vencer, tendo-a ‘enxotado’ para fora do número 10 de Downing Street.

“Desde que deixei o cargo de primeira-ministra, gostei de ser novamente uma ‘backbencher’ e ter mais tempo para trabalhar para os meus eleitores e defender causas próximas do meu coração, incluindo o lançamento da Comissão”, afirmou no comunicado. May, de 67 anos, tem sido uma ativista empenhada e lançou a sua comissão global em outubro, apoiada pelos governos do Reino Unido e do Bahrein.

À medida que as sondagens continuam a mostrar vantagem para os trabalhistas, May junta-se a 64 conservadores e ex-conservadores que não vão disputar os seus lugares nas próximas eleições – o maior número de conservadores a retirar-se do Parlamento desde que May entrou nos Comuns, em 1997, segundo contas do jornal “The Guardian”.

A ex-primeira-ministra foi ministra do Interior de David Cameron entre 2010 e 2016, antes de o suceder no topo da hierarquia do governo britânico. O seu mandato em Downing Street durou três anos. Numa eleição antecipada em 2017, perdeu a maioria, mas permaneceu no cargo graças a um acordo com os irlandeses conservadores da DUP no Parlamento. Foi o seu primeiro grande erro político: ao trocar a maioria absoluta herdada de Cameron por uma maioria simples, deixou-se ‘cair’ nas mãos dos hiper-conservadores, que passaram a controlar as suas próprias decisões.

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