Os lucros da distribuidora Petromoc tombaram 78% para 2,8 milhões de euros no ano passado, números que podem colocar em risco a continuidade da petrolífera moçambicana, noticia esta terça-feira a “Forbes África Lusófona”.
Segundo a nota de demonstrações financeiras, a empresa estatal teve um resultado líquido de 12,8 milhões de euros no exercício de 2021, pelo que a queda nos lucros deste ano para 2,8 milhões de euros teve efeitos também no capital próprio, que passou para 6,8 milhões de euros, menos de metade do capital social. Perante estes números, a petrolífera encontra-se perante a situação indicada no artigo 119.º do Código Comercial de Moçambique, que prevê que a sociedade seja dissolvida ou o capital reduzido, ou, em alternativa, se proceda a um aumento de capital pelos sócios num prazo de 60 dias.
No último dia do ano passado, os passivos correntes da petrolífera excediam os ativos correntes em 5,4 milhões de euros.
De acordo com o relatório de resultados ao qual a agência Lusa teve acesso, “as situações acima descritas indicam que existe uma incerteza material que pode colocar dúvidas significativas sobre a capacidade da empresa em se manter em continuidade”.
O documento lista um conjunto de medidas de mitigação tomadas pela petrolífera, como “planos operacionais e planos de negócio de longo prazo, que espelham a possibilidade de melhoria dos indicadores económicos, uma garantia disponibilizada pelo accionista maioritário, o Estado, no valor de 51,2 milhões de euros para permitir a continuidade na importação de combustível, actividade core, da Petromoc”.
No final de julho, a BP Moçambique anunciou que pretende vender à petrolífera estatal moçambicana Petromoc a quota de 50% que detém na empresa MIAFS criada por ambas para operações de armazenamento de combustível no aeroporto internacional de Maputo.
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