Filipe Garcia, Economista Conselheiro; IMF, Informação de Mercados Financeiros

Críticas ao BCE

Com tantos avisos e receios, os agentes económicos percecionam um ambiente inflacionista e os preços acabam mesmo por subir.

Pela primeira vez desde o início do ciclo de aperto monetário, surgiram reservas à atuação dos bancos centrais por parte de governos e instituições supranacionais.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni criticou o Banco Central Europeu (BCE) pelas repetidas subidas das taxas de juro, afirmando que é uma abordagem que poderá fazer mais mal do que bem e referiu que “é correto combater a inflação de forma decisiva, mas para muitas pessoas a receita simplista de subidas de taxas seguida pelo BCE não parece ser o caminho certo”.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) não foi tão direto, mas as reservas também são evidentes. Gita Gopinath disse que os decisores correm o risco de se verem confrontados com uma escolha difícil entre prevenir um futuro colapso financeiro entre os países altamente endividados ou continuar a subir taxas e que os bancos centrais poderão ter de tolerar a inflação sem subir tanto os juros.

Por outro lado, uma análise do FMI a 20 países concluiu que a subida de margens de lucro terá sido responsável por 45% das subidas agregadas de preços. Já o aumento de custos na importação de energia terá tido um contributo de 40%. É discutível que subir juros possa influenciar decisivamente esta situação que, de resto já se está a dissipar.

O FMI considera que cabe aos decisores políticos ancorarem expectativas de inflação. Ora, é precisamente isso que o BCE não está a fazer. Não há dia em que não surjam declarações de membros do BCE acerca de como a inflação está alta e que é um problema. Está estudado que a inflação tem um cariz comportamental. Com tantos avisos e receios, os agentes económicos percecionam um ambiente inflacionista e os preços acabam mesmo por subir.

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