Todos os anos, a revista “The Economist” lança uma edição especial com a sua antevisão do mundo que nos espera para o ano seguinte, somando aos dados e expetativas face à economia também uma antevisão nos campos da geopolítica, da sociedade e da cultura.
Este ano, a equipa de analistas e jornalistas colocou já a circular um resumo com os principais highlights e não surpreende que o primeiro aviso seja o de que – se há dois anos foi a pandemia da Covid a moldar-nos o futuro imediato – desta vez esse papel caberá à guerra na Ucrânia.
Muito recentemente, entrou na terminologia dos especialistas o termo policrise. A palavra consta já do dicionário de língua inglesa Collins e é definida como “a ocorrência simultânea de diversos eventos catastróficos”, como os que estamos a viver numa conjugação que reúne, no seu âmago, os efeitos combinados da guerra provocada pela Rússia, da luta dos bancos centrais (e dos governos) para o controle da inflação, do caos nos mercados energéticos e da incerteza vivida na China num cenário pós-pandémico mas ainda com as restrições que, como sabemos, provocaram recentemente protestos alargados entre a população.
Como se não bastasse e em simultâneo para os editores do mesmo dicionário, surgiu ainda aquela que foi declarada a palavra do ano: Permacrise. A qual define “um período prolongado de instabilidade e insegurança”.
De acordo com a “The Economist”, todos os olhos estão fixos na Ucrânia. E enquanto o conflito não só continua, como parece alargar-se em termos territoriais e temporais, a economia global abranda e muitos países arriscam cair em recessão já em 2023. No próximo ano, 39% de um universo de CFO entrevistados pela Deloitte afirmaram esperar que os EUA entrem em estagflação e 46% falaram mesmo em recessão, numa altura em que o dólar forte “exporta” inflação para os mercados emergentes e provoca pressão sobre os serviços das dívidas.
Pela primeira vez em 14 anos, a multinacional McDonalds aumentou o preço do seu cheeseburger e este é um indicador que revela, como poucos, o estado do aumento dos bens alimentares e do custo de vida a nível planetário. No horizonte de 2013, as nuvens adensam. Como destacam os analistas, se em 2022, no mundo pós-Covid, os cidadãos regressaram às viagens de férias e à restauração, desta vez os aumentos das faturas da energia e das taxas dos empréstimos bancários e hipotecas arriscam anular esse efeito e atingir quer os consumidores quer os retalhistas.
Em várias crónicas, inclusive antecipando a mudança de posições mais otimistas iniciais por parte de entidades como o FMI e o BCE, alertei aqui para a necessidade de cautelas e caldos de galinha no que diz respeito aos nossos hábitos de consumo e poupanças, prevendo o pior. Infelizmente, os analistas internacionais vieram agora dar razão a esse cenário mais realista. Aquilo que podemos ainda almejar é que a policrise, que é inevitável e que já estamos a viver, não se converta numa permacrise, sem fim à vista e ainda mais preocupante.

Na altura em que escrevo, o jornal “Marca” fala de um contrato de Cristiano Ronaldo com o clube Al Nassr, da Arábia Saudita. A suceder, serão 200 milhões por época durante pelo menos dois anos tornando o jogador português, de longe, o atleta mais bem pago do mundo. Como sportinguista, tenho de lamentar que fique de fora o seu regresso ao meu clube do coração. Como português, desejo-lhe a continuação do sucesso que tem evidenciado para a sua carreira que tanto faz pela imagem de Portugal no mundo.