Arranca esta quarta-feira, 19 de abril, na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra a conferência “Clima&Trabalho: unindo diferentes mundos”, que tem como objetivo iniciar a discussão interdisciplinar sobre a conexão entre mudanças climáticas e direitos laborais.
Organizada pelo Pulitzer Center, em parceria com a Universidade de Coimbra, a conferência tem formato híbrido e prolonga-se até quinta-feira. A entrada é gratuita e são esperados académicos, jornalistas, estudantes e movimentos sociais, que em conjunto e vão olhar para as principais narrativas e explorar possíveis soluções.
As discussões partirão das histórias mais relevantes do Pulitzer Center sobre estes dois temas e apresentarão tópicos como o impacto das mudanças climáticas na saúde, segurança alimentar e meios de subsistência das pessoas, especialmente para trabalhadores em pontos críticos a nível climático em todo o mundo.
Em cima da mesa estarão temas concretos como o dos trabalhadores nepaleses vítimas de acidentes e mortos na construção dos estádios do Campeonato do Mundo FIFA de 2022 no Qatar. Outra conexão importante a ser explorada é a forma como as comunidades costeiras estão de forma severa a ser impactadas pelas mudanças climáticas.
“Milhões de trabalhadores em todo o mundo estão a sentir o impacto das mudanças climáticas”, afirma Flora Pereira, diretora de educação internacional e divulgação do Pulitzer Center, salientando que, ao mesmo tempo, vivemos num sistema de desigualdade que afeta pessoas com condições de trabalho injustas e inadequadas. Os debates “ajudarão a entender como a perda de direitos climáticos e laborais podem estar interligados e como o aumento da injustiça e a concentração de poder num mundo afeta diretamente o outro”, destaca.
José Manuel Mendes, professor Catedrático de Sociologia na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e coordenador do Observatório do Risco, considera que “a crise climática afeta as pessoas e as comunidades mais vulneráveis, diminuindo os direitos laborais e o acesso à justiça climática, afetando o exercício pleno das prerrogativas da cidadania e a solidariedade entre gerações. Sem a justiça climática e sem a cidadania climática estão em causa as bases de sobrevivência das comunidades e os princípios de uma emancipação plena”.