“É muito bonito fazer leis, mas depois as leis não se aplicam”, diz Marcelo sobre medidas do Governo para a habitação

Apesar de fazer notar que as medidas atuais demoraram muito tempo a serem implementadas, mesmo quando já se fazia sentir o problema habitacional, Marcelo adianta que "o Governo apanhou, apesar de tudo, o controlo do défice, uma crise no sistema bancário, a pandemia, e, quando ia levantar a cabecinha, a guerra".

“É muito bonito fazer leis, mas depois as leis não se aplicam”, diz Marcelo sobre medidas do Governo para a habitação
Marcelo Rebelo de Sousa

O Presidente da República está preocupado com a eficácia do pacote legislativo para a habitação, esclarecendo que o mesmo é demasiado curto. Em entrevista ao “Público” desta sexta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa assume que este é “um problema fundamental e urgente” e que “é de louvar que ao fim de sete anos de governo, o Governo tenha apresentado um pacote desta dimensão”.

Na visão de Marcelo, a questão para este pacote é se o Estado consegue concretizar as leis a que se propõe. “É muito bonito fazer leis, mas depois as leis não se aplicam”, abordando diretamente o tema do arrendamento coercivo.

Apesar de fazer notar que as atuais medidas demoraram muito tempo a serem implementadas, mesmo quando já se fazia sentir o problema da habitação em Portugal, Marcelo adianta que “o Governo apanhou, apesar de tudo, o controlo do défice, uma crise no sistema bancário, a pandemia, e, quando ia levantar a cabecinha, a guerra. Não há muitos governos que tenham apanhado tanta coisa junta. Isto para dizer o seguinte: do melão do Governo nós já podemos retirar algumas ideias, e a primeira ideia é que dar sete dias para discutir não sei quantos diplomas, depois de sete anos de espera, é uma coisa do outro mundo”.

Numa conversa que se centrou em dois pacotes de habitação (Governo e PSD), o Presidente da República aponta que existem “pontos de convergência em matéria administrativa, simplificação, flexibilização, licenciamentos, desburocratizarão, no que diz que respeito a construção, nomeadamente pra habitação”, esclarecendo que “há espaço para conversa” entre as duas partes. “É evidente que o PSD vai mais longe do que o PS, mas há espaço para conversa”.

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Em declarações aos jornalistas no final da apresentação da Carta Encíclica “Magnífica Humanitas”, do Papa Leão XIV, na Feira do Livro, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que este documento tem o “grande mérito de chamar a atenção para um tema que, de uma maneira geral, não se tem acautelado” porque “se acha que se tem todo o tempo do mundo” quando, na sua opinião, “não se tem”.