O Novobanco anunciou lucros de 560,8 milhões de euros em 2022, o que representa um aumento de 204% face ao que tinha obtido no ano anterior. Em 2021, o banco liderado por Mark Bourke tinha reportado 184,5 milhões de euros. A venda de imóveis, nomeadamente da sede da Avenida da Liberdade, ajudaram a esta evolução dos resultados líquidos.
Foi o “contributo positivo dos ‘Outros Resultados de Exploração’ no valor de 183,6 milhões derivado do processo de desalavancagem do portefólio imobiliário, que inclui a venda do edifício da atual sede”.
A rubrica “outros resultados de exploração” fizeram muito pela subida de 15,9% do produto bancário, que totalizou 1.126,3 milhões de euros. A margem financeira subiu 9,1% para 625,5 milhões de euros e as comissões 3,8% para 293,3 milhões e os resultados de operações financeiras caíram -68,4% para 24,0 milhões.
O banco realça que a subida da receita com a margem financeira foi “o reflexo da melhoria da taxa média dos ativos que mais que compensou o custo suportado com as emissões de dívida sénior e a alteração das taxas de juro do financiamento TLTRO III (Targeted longer-term refinancing operations)”. O BCE criou as operações de refinanciamento de prazo alargado direcionadas (TLTRO) a juros baixos ou negativos para apoiar a concessão de crédito bancário à economia real e, assim, melhorar a transmissão da política monetária. O dinheiro obtido no Eurosistema a taxas zero ou mesmo negativas junto era depois depositado no BCE e os bancos ganhavam com a subida das taxas de juro nesses depósitos, tirando partido da diferença de juros. A TLTRO III foi lançada em setembro de 2019, mas com a subida dos juros, em outubro de 2022 o BCE recalibrou as operações de empréstimo direcionadas.
O desempenho da margem financeira do Novobanco “está em linha com as expectativas para o ano de 2022 e com o atual contexto macroeconómico de subida generalizada das taxas de juro, com a estratégia de gestão de ativos e passivos a mitigar os efeitos da pressão inflacionista”.
O resultado ajustado (antes de impostos) de 2022 ajustado de efeitos extraordinários ascendeu a 406,7 milhões de euros, o que é equivalente a um RoTE (antes de impostos), rentabilidade dos capitais próprios tangíveis, de 14,4% (quando em 2021 era de 8,8%).
“Resultado do controlo de custos e continuado investimento estratégico, o Cost-to-Income Comercial situou-se em 48,8%, pior do que em 2021, quando foi de 47,7%, equivalente a 44,1% excluindo itens de natureza excecional. Os Custos Operativos atingiram 448,4 milhões (+9,8%), equivalente a um aumento de 2,4% ajustado por itens de natureza excecional”, refere o banco.
As contribuições para o sector bancário somaram 34,1 milhões em 2022, em linha com o ano anterior.
O Grupo Novobanco registou até 31 de dezembro de 2022 um reforço de imparidades e provisões no montante de 111,2 milhões, apresentando uma redução face aos valores registados no período homólogo (-68,5% ou menos 241,5 milhões de euros).
O custo do risco foi de 45pb (incluindo as imparidades para crédito e obrigações corporate) beneficiando da estratégia de redução de risco das carteiras (melhor que em 2021 quando era de 70 bps (0,70%).
“No exercício, as entradas de crédito não produtivo mantiveram-se em níveis reduzidos, o que juntamente com a atividade de recuperação, contribuiu para o decréscimo contínuo do montante de crédito não produtivo e, consequentemente, à melhoria do rácio de NPL para 4,3%”, diz o banco em comunicado.
Segundo o Novobanco a evolução dos lucros “reflete a melhoria dos resultados operacionais” de 20% face a 2021 (+114,2 milhões) e a redução do nível de imparidades e provisões que foi de 68,5%, ou seja, menos 241,5 milhões de euros. As imparidades para crédito recuaram 76,9% para 34,5 milhões de euros, ou seja, -114,8 milhões num ano.
No balanço o destaque vai para o crédito a clientes (líquido) que aumentou para 24,6 mil milhões, mais 3,8% desde dezembro de 2021 (ou seja, mais +0,9 mil milhões), “confirmando a trajetória de crescimento da carteira de crédito tanto no segmento de retalho como de empresas, num ambiente de taxas mais favoráveis”.
Os recursos totais de clientes cresceram 3,1% face a dezembro de 2021, sendo o aumento dos depósitos de clientes de 4,0% (+1,1 mil milhões). O saldo médio dos depósitos de clientes foi de 28,3 mil milhões de euros, com uma taxa média de remuneração de 0,17% (2021 foi de 0,19%).
O banco destaca a qualidade da carteira de crédito, com a redução do rácio de créditos não produtivos (NPL) para 4,3% (quando em dezembro de 2021 era de 5,7%), e com o aumento do rácio de cobertura para 77,5% (acima dos 71,4% um ano antes), “em linha com a estratégia de de-risking e aproximando-se do rácio médio dos peers europeus”.
“Com resultados positivos em todos os trimestres, é de destacar neste último trimestre a melhoria da margem financeira (+59,2%) e das comissões (+8,9%), assim como a contenção dos custos operativos (excluindo itens de natureza excecional +2,4% ou +9,7 milhões de euros) em nível semelhante ao dos trimestres anteriores permitindo mitigar os efeitos das pressões inflacionistas sobre este agregado”, refere o comunicado.
O banco explica que o desempenho do resultado líquido do último trimestre de 2022 foi penalizado pela constituição da provisão relativa à tributação dos imóveis introduzida pela Lei do Orçamento de Estado de 2021, à semelhança do que ocorreu no último trimestre de 2021 (em 2021 foram 116 milhões de euros e em 2022 foram 57 milhões).
Ainda no 4.º trimestre do ano os outros resultados de exploração foram positivos em 22,3 milhões (ajudando o produto bancário) dos quais se destaca a recuperação de crédito (+16,4 milhões de euros num ano).
Destaque ainda para a geração de capital com o rácio CET 1 a aumentar 300 pb no exercício do ano, para 13,1% (fully-loaded) e 13,7% em base phased-in, e o rácio de solvabilidade total totalizou 15,5% (+330 pb que um ano antes). “Este desempenho evidencia a capacidade de geração de capital do modelo de negócio do Novobanco, que juntamente com disciplina ao nível dos ativos ponderados pelo risco e medidas de gestão específicas asseguraram o cumprimento dos rácios de capital confortavelmente acima do objetivo”, refere o banco.
O banco mantém elevados níveis de liquidez com o rácio LCR reforçado atingindo 210% (o que compara com 182% em dezembro de 2021) e
o NSFR a totalizar 113% (versus 117%).
Foi o segundo melhor resultado entre a banca privada, apenas atrás do Santander Totta.