Outsiders traz no bolso o cinema independente ‘made in USA’

De 7 a 12 de março, o Cinema São Jorge recebe “Outsiders – Cinema Independente Americano”. Dez longas-metragens dão a conhecer o lado menos comercial da cinematografia norte-americana. Uma iniciativa com a chancela da FLAD.

Outsiders traz no bolso o cinema independente ‘made in USA’
"The Lovers"

Se um outsider é aquele/a que se coloca à margem ou é excluído/a de algo, neste caso, “Outsiders” remete para uma cinematografia que, muitas vezes, escapa ao radar do circuito comercial de exibição, amiúde focado nos chamados blockbusters. Falamos do ciclo de cinema “Outsiders – Cinema Independente Americano”, que regressa à capital portuguesa com dez longas-metragens produzidas nos EUA entre 2013 e 2021.

Os temas abordados são muito distintos e pretendem refletir sobre questões que interessam à sociedade de hoje, sem deixar de abarcar um vasto leque de géneros cinematográficos, do terror ao western, passando pelo melodrama, sem esquecer a ficção científica e até o film noir, entre outros. O elemento comum é serem recentes. Mas não só. Alguns deles também partilham o facto de terem sido premiados em festivais de cinema europeus e americanos como Cannes, Deauville, Sundance, SXSW e Taormina, mas que nunca chegaram a ser programados ou distribuídos em Portugal.

No cartaz da segunda edição de “Outsiders”, uma iniciativa da FLAD – Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, poderá encontrar “Madeline’s Madeline”, de Josephine Decker, que trata as relações entre a saúde mental e as artes do palco, e que revisita o género musical para abordar um tema que hoje preocupa as sociedades contemporâneas. Assim como “Depraved”, do realizador Larry Fessenden, que recria em Brooklyn o mito de Frankenstein: referência às manipulações do corpo e seus potenciais perigos? Carlos Nogueira, programador de “Outsideres”, refere na apresentação do ciclo que “os códigos do film noir são utilizados com justeza por Aaron Katz na sua reflexão sobre Hollywood e o sucesso em Gemini”.

Já o filme de guerra “Foxhole”, numa intrigante versão contemporânea, destaca a importância da solidariedade nas trincheiras, pondo o dedo na ferida do preconceito racial. Enquanto o filme de ficção científica, “Upstream Color”, de Shane Carruth, tem como ponto de partida os perigos das experiências científicas e possíveis manipulações fraudulentas.

“Wild Nights with Emily” é, tecnicamente, um filme de época com contornos de biopic, que trata com humor questões relacionadas com a sexualidade da escritora Emily Dickinson. A instabilidade mental e a dependência de drogas são abordadas por Trey Edward Shults num melodrama familiar, “Krisha”, Grande Prémio SXSW, para o qual convocou um elenco notável de não profissionais, constituído essencialmente por membros da sua família.

Onde há dependência há tráfico. “Transpecos”, de Greg Kwedar, desloca a temática para o reino da ficção científica, mantendo, contudo, a realidade da imigração clandestina como pano de fundo. O “Outsiders” não podia terminar sem uma reflexão sobre feminismo, liberdade e interdependência. É o que propõe Azazel Jacobs em “The Lovers”, que tem Debra Winger como protagonista.

A seleção de filmes desta segunda edição pretende mostrar ao público português um retrato possível da América contemporânea. Sem esquecer que o contacto direto com a nova geração de realizadores independentes é igualmente importante para “medir a temperatura” do cinema ‘mede in USA’.

É neste contexto que o convidado desta edição de “Outsiders”, Jack Fessenden, vai dar uma masterclass, “How I Made Two Feature Films by Age 21”, na Faculdade de Belas-Artes da Universidade Lisboa no dia 8 março às 17h.

Às 19h00 de sexta-feira 10 de março, irá apresentar, no Cinema São Jorge, a longa-metragem que realizou em 2021. A ação de “Foxhole” decorre sensivelmente ao longo de 36 horas, em três guerras distintas – a Guerra Civil Americana, a Primeira Guerra Mundial e a guerra do Iraque –, e acompanha cinco soldados confinados numa trincheira e confrontados com questões morais, com a futilidade de determinadas ações e uma situação de combate cada vez mais volátil.

Filho de Larry Fessenden, um dos gurus nova-iorquinos dos filmes de terror independentes, cujo filme “Depraved” também vai ser exibido neste ciclo, foi eleito como um dos “11 grandes cineastas indie de 30 ou menos anos que precisas de conhecer” pela revista “Indiewire”, 2017.

 

Programa completo:

7 março, terça-feira
21h30: THE LOVERS, Azazel Jacobs, 2017, 97 – sessão de abertura

8 março, quarta-feira

19h00: UPSTREAM COLOR, Shane Carruth, 2013, 96′
21h30: MADELINE’S MADELINE, Josephine Decker, 2018, 93′

9 março, quinta-feira
19h00: TRANSPECOS, Greg Kwedar, 2016, 86′

21h30: DEPRAVED, Larry Fessenden, 2019, 114′

10 março, sexta-feira
19h00: FOXHOLE, Jack Fessenden, 2021, 95′
21h30: IN A VALLEY OF VIOLENCE, Ti West, 2016, 104′

11 março, sábado
19h00: KRISHA, Trey Edward Shults, 2015, 83′
21h30: GEMINI, Aaron Katz, 2017, 93′

12 março, domingo
19h00: WILD NIGHTS WITH EMILY, Madeleine Olnek 2018, 84′ – sessão de encerramento

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