WeDo Technologies: “5G vai gerar mais complexidade e segmentação”

A multinacional portuguesa quer ajudar as empresas de telecomunicações a gerir a chegada do “quinto elemento de risco”: rede móvel de quinta geração. "Vai ser mais complexo mas haverá mais gente a trabalhar. Só temos de criar o marketplace onde isso possa acontecer”, disse o CEO, Rui Paiva.

WeDo Technologies: “5G vai gerar mais complexidade e segmentação”
We Do Tech

A multinacional portuguesa WeDo Technologies sabe que ainda é difícil quantificar a oportunidade que a rede móvel de quinta geração (5G) traz ao mercado das telecomunicações, uma vez que as próprias operadoras ainda estão a desenhar as ofertas para os clientes, mas tem uma convicção: mais ligações e maior velocidade são sinónimos de risco (que pode ser controlado).

O CEO desta tecnológica refere o 5G e a Internet das Coisas (IoT, na sigla inglesa) requerem maior investimento na monitorização e cooperação entre os diferentes operadores. “Com estes dois elementos combinados, teremos mais redes e mais coisas conectadas. Teremos de ter muito maior controlo. Se cruzarmos esses fatores com algumas obrigações governamentais, como o Regulamento Geral da Proteção de Dados por exemplo, vai ser mais complexo”, disse Rui José Gonçalves Paiva, na conferência anual da WeDo Technologies, este ano subordinada ao tema “The Fifth Element of Risk” (“O Quinto Elemento de Risco”).

Fundada em 2001, a WeDo Technologies disponibiliza software e soluções tecnológicas que analisam grandes quantidades de dados que permitem monitorizar processos de negócio, como comissões, cobranças e gestão de roaming. Os especialistas da empresa consideram que a utilização do 5G, da inteligência artificial e do edge computing (processamento de dados no limite da rede, onde os mesmos são gerados) criam um elemento de risco extraordinário. Tratando-se de tecnologia, não é surpreendente, mas no caso concreto da quinta geração móvel, com os milhares de milhões de dispositivos interligados, os elementos de risco acabam por multiplicar-se “drasticamente”.

“Estamos a trabalhar com algumas operadoras numa lógica completamente inovadora. Vai ser mais complexo mas haverá mais gente a trabalhar. Só temos de criar o marketplace onde isso possa acontecer”, adiantou o CEO. Em Portugal, a empresa trabalha com a Nos e Vodafone.

 “‘Telecoms’ não estão habituadas a ter os dados fora dos seus data centers”

Álvaro Ribeiro, Chief Technology Officer, revelou que mais de 10% do orçamento da empresa costuma ser investido em I&D [Investigação e Desenvolvimento], uma área para a qual estão alocadas 150 pessoas. “As empresas de telecomunicações não estão habituadas a ter os seus dados fora dos seus centros de dados, mas agora estão a abandonar essa estratégia e confiar em empresas como a AWS, a Microsoft ou a Google. Com o 5G até as redes vão ser virtualizadas”, explicou.

Para Bernardo Lucas, Chief Marketing & Strategy Officer, o 5G vai introduzir “mais complexidade e segmentação” no trabalho destas empresas, além da oportunidade que pode significar. “Mudanças como aumentar a memória, em tempo real, implica atualizações nos produtos e cooperação com os parceiros”, exemplifica.

A ideia encaixa nas palavras de Carlos Marques, que vê o IoT e o 5G como motores de regresso aos lucros por parte das operadoras e sinalizadores de “otimismo na indústria”. “Passaram anos a enfrentar os duplos desafios do crescente volume de tráfego de dados e da intensa concorrência, levando à pressão sobre os preços”, escreveu o responsável de marketing de produto da WeDo num artigo sobre o relatório “Managing Risk in 5G and IoT”.

No ano passado, a empresa registou mais de 60 milhões de euros em encomendas, bem como um crescimento homólogo de 14% na componente de managed services. Atualmente, tem escritórios em 10 países: Estados Unidos da América, Portugal, Austrália, Brasil, Egito, Irlanda, Malásia, México, Reino Unido e Espanha.

O último encontro anual da WeDo Technologies, designado “WeMeet Europe 2019”, contou com a presença de aproximadamente 250 clientes, analistas e parceiros de negócio, cerca de 25 oradores e representantes de 40 fornecedores de serviços de comunicação oriundos de 40 países. Entre os convidados estiveram porta-vozes da Amazon Web Services, da British Telecom, da Ericsson ou da Oracle. Entre os dias 22 e 23 de maio, em Cascais, houve sessões informativas sobre o impacto do 5G no atual modelo de negócio das telecomunicações e análises de casos de estudo relacionados com esta temática.

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