Visabeira Indústria assegura 85,83% da Martifer na OPA e falha meta de aquisição potestativa

Uma vez que o nível de aceitação não permitiu à Visabeira Indústria alcançar o limiar mínimo de 90% dos direitos de voto, não se verificam as condições para o preenchimento automático do mecanismo de aquisição potestativa. A oferente só conseguiu comprar na OPA 239.263 ações.

Visabeira Indústria assegura 85,83% da Martifer na OPA e falha meta de aquisição potestativa
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A Visabeira Indústria passou a deter um total de 85.827.065 ações da Martifer na Oferta Pública de Aquisição que teve hoje o apuramento dos resultados. Mas falhou o seu objetivo de retirar a construtora de bolsa.

A Visabeira ficou com o equivalente a 85,83% do capital social da Martifer e a 87,77% os direitos de voto da empresa, após o encerramento da Oferta Pública de Aquisição (OPA) geral e obrigatória. A sessão especial de mercado regulamentado destinada a apurar os resultados da operação realizou-se esta sexta-feira, 5 de junho de 2026 na Euronext.

A oferta, que decorreu entre os dias 18 de maio e 3 de junho de 2026, teve como objeto um lote de 14.412.198 ações (representativas de 14,41% do capital) e oferecia uma contrapartida em dinheiro de 2,0571 euros por cada título, valor deduzido de qualquer montante (ilíquido) que venha a ser atribuído a cada ação, a título de dividendos, de adiantamento sobre lucros do exercício ou de distribuição de reservas.

No fecho da operação, a Visabeira Indústria adquiriu um total de 239.263 ações, o que corresponde a 0,24% do capital social da Martifer. Durante o período em que a oferta esteve ativa, não foram registadas quaisquer aquisições adicionais de ações em Bolsa ou fora de Bolsa.

A OPA era geral e obrigatória e resultou do Acordo Parassocial Tripartido celebrado entre a Visabeira, a I’M e a Mota-Engil.

Uma vez que o nível de aceitação não permitiu à Visabeira Indústria alcançar o limiar mínimo de 90% dos direitos de voto, não se verificam as condições para o preenchimento automático do mecanismo de aquisição potestativa.

Desta forma, a exclusão imediata da construtora metálica da admissão à negociação no Euronext Lisbon por essa via fica sem efeito, restando à empresa avaliar a eventual convocação futura de uma assembleia geral para deliberar sobre uma exclusão voluntária de negociação.

Conforme o calendário oficial estabelecido, a liquidação financeira de toda a operação e o respetivo pagamento aos acionistas que venderam os seus títulos estão agendados para o próximo dia 9 de junho de 2026.

O pagamento da contrapartida foi garantido por compromisso de pagamento do Sindicato Bancário. O compromisso de pagamento funciona como uma garantia bancária. Significa que este grupo de bancos assumiu a responsabilidade formal e irrevogável de assegurar que o dinheiro estaria disponível na data da liquidação financeira (9 de junho de 2026), dando total segurança aos acionistas da Martifer e aos reguladores do mercado de que a oferta tinha “fundos firmes”.

O Sindicato Bancário abriu uma linha de financiamento/crédito à Visabeira Indústria de até 29,6 milhões de euros. Como no final apenas foi vendido um pequeno lote de 239.263 ações (o que custou cerca de 492 mil euros), a Visabeira Indústria acabou por necessitar de utilizar apenas uma fração mínima do valor total que os bancos tinham colocado à sua disposição.

A assessoria jurídica da oferente esteve a cargo do escritório Morais Leitão e o agente liquidador é a Caixa BI.

(atualizada)

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