Lucros da Jerónimo Martins crescem 8% para 646 milhões de euros

A Jerónimo Martins registou crescimento nos seus principais mercados em 2025, com destaque para a Polónia (25,3 mil milhões de euros), Portugal (cerca de 6,7 mil milhões) e Colômbia (3,2 mil milhões).

Lucros da Jerónimo Martins crescem 8% para 646 milhões de euros
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O resultado líquido da Jerónimo Martins subiu 7,9% no ano passado, face a 2024, para 646 milhões de euros, divulgou esta quarta-feira a dona das cadeias de retalho Pingo Doce, Biedronka e Ara.

As vendas atingiram os 36 mil milhões de euros, ou seja, um crescimento de 7,6%. O EBITDA – resultados antes de impostos – subiu 11,1% para 2,5 mil milhões de euros.

Este são os números avançados pelo relatório financeiro publicado esta quarta-feira pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), após o fecho da bolsa de Lisboa.

A empresa termina o ano apresentando um encaixe líquido de 866 milhões de euros (excluindo IFRS16), apesar de um programa de investimento de 1,2 mil milhões de euros e do pagamento de dividendos.

Portugal: crescimento sustentado e foco na diferenciação

Em Portugal, o grupo informa que manteve um desempenho positivo, “ainda que condicionado por consumidores altamente sensíveis ao preço e às promoções”, como se lê na comunicação enviada à CMVM. A cadeia Pingo Doce registou um crescimento de vendas de 5,3%, atingindo 5,3 mil milhões de euros, beneficiando do reforço do conceito “All About Food”, centrado em refeições prontas e frescos. Este continuará a executar um plano que inclui cerca de 10 novas inaugurações de lojas e aproximadamente 40 renovações.

A rentabilidade também evoluiu favoravelmente, com o EBITDA a crescer 8,5% e a margem a atingir 6,0%, impulsionada por ganhos de eficiência e controlo de custos.

Durante o ano, 52 lojas foram remodeladas e nove novos pontos foram abertos (oito acréscimos líquidos).

Já o grossista Recheio destacou-se “pelo dinamismo no canal Horeca e pela expansão da rede Amanhecer”, que atingiu 758 lojas, 52 a mais do que no ano anterior. O crescimento foi suportado por uma proposta de valor assente em preço competitivo e qualidade do sortido.

O investimento manteve-se com abertura de novas lojas e renovação da rede existente, reforçando a modernização do parque comercial.

Polónia: Biedronka lidera num mercado altamente competitivo

Na Polónia, principal mercado do grupo, a cadeia Biedronka continuou a afirmar a sua liderança, num contexto de baixa inflação alimentar e elevada pressão promocional.

As vendas ultrapassaram os 25 mil milhões de euros, crescendo 7,5%, enquanto o EBITDA aumentou 9,8%, com a margem a atingir 7,9%. O desempenho foi sustentado por crescimento de volume, expansão da rede e rigor na gestão de custos.

No ano do seu 30.º aniversário, a Biedronka ultrapassou 25 mil milhões de euros em vendas, 7,5% a mais do que em 2024.  A marca abriu 181 lojas em 2025 e renovou 200 locais.

Também na Polónia, a cadeia de saúde e beleza Hebe cresceu 7,4% (acima de 2024) em vendas que chegaram aos 626 milhões de euros. A Hebe abriu 16 lojas no mercado polaco (11 adições líquidas), além de mais duas aberturas de lojas na República Checa.

Colômbia: Ara acelera crescimento e reforça rentabilidade

Na Colômbia, a operação Ara destacou-se como o principal motor de crescimento do grupo. As vendas cresceram 17,4% em moeda local (13,3% em euros), atingindo 3,2 mil milhões de euros.

O EBITDA registou uma subida expressiva de 37,6%, com a margem a melhorar para 4,1%, refletindo ganhos de escala e medidas de eficiência iniciadas no ano anterior.

“A expansão manteve um ritmo elevado, com a abertura de 225 lojas, elevando a rede para mais de 1650 localizações”, indica o grupo acrescentando que “a empresa continua a apostar na proximidade e numa proposta de valor centrada em preços baixos e promoções, num mercado ainda pressionado pela inflação e pela fragilidade do rendimento das famílias”.

2026: incerteza persiste, mas estratégia mantém-se

Para 2026, o grupo antecipa a continuação de um ambiente desafiante, marcado por incerteza geopolítica e consumidores focados na poupança. A estratégia mantém-se: reforçar a competitividade de preços, investir na rede de lojas e logística, e apostar na inovação de sortido, especialmente em marcas próprias.

Pedro Soares dos Santos indica, no relatório enviado à CMVM, que as insígnias da Jerónimo Martins “vão trabalhar para garantir a competitividade de preços e implementar campanhas promocionais eficazes, dois atributos amplamente reconhecidos pelos consumidores. Vão também centrar-se no desenvolvimento dos sortidos, particularmente nas marcas próprias, na promoção da qualidade e da inovação nas redes de lojas, e no reforço das operações logísticas — um dos pilares fundamentais da competitividade operacional”.

O plano de investimento deverá manter-se nos 1,2 mil milhões de euros, com cerca de 200 novas lojas previstas, numa trajetória que privilegia crescimento sustentável e rentável, lê-se no relatório.

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