Uma rua inteira encostada à parede

Numa rua cheia de gente, vive-se, trabalha-se, conversa-se. Uma tarde, caiu um silêncio gelado. Uma fotografia foi a ignição. Da peça de teatro de Marco Martins e de muita indignação. É este o país que queremos?

Uma rua inteira encostada à parede
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19 de dezembro de 2024. 400 metros de rua. Cem polícias e 20 viaturas. Passava pouco das três da tarde e ninguém podia entrar ou sair do Benformoso. Estava em curso a Operação Especial de Prevenção Criminal da PSP na Rua do Benformoso, em Lisboa. Encostadas à parede, imóveis, estavam 66 pessoas. Assim ficaram umas duas horas. De rosto escondido. Uma mulher, imigrante, na estreita varanda do quarto, fotografou o que se passava na rua. Há imagens, como bem sabemos, que valem mil palavras. Uma rua inteira encostada à parede. Silenciosa mas eficaz, a fotografia que partilhou tornou-se viral. Como um rio que transborda, galgou fronteiras. Chegou ao mundo. À família de alguns dos homens e jovens encostados à parede. De braços no ar.

Conteúdo reservado a assinantes. Leia aqui o artigo completo. Edição do Jornal Económico de 6 de março.

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