Turbogás com interesse em concorrer ao concurso da central da Tapada do Outeiro (que continua sem ser lançado)

A Turbogás é a atual detentora da concessão, cujo contrato termina daqui a três meses. Governo ainda não anunciou data para lançar concurso.

Turbogás com interesse em concorrer ao concurso da central da Tapada do Outeiro (que continua sem ser lançado)
Central Tapada do Outeiro – Turbogás

É uma infraestrutura crítica para garantir a segurança de abastecimento de eletricidade no grande Porto e no norte do país, onde vivem mais de 3,5 milhões de portugueses e onde está concentrada uma parte importante da indústria nacional. Mas o seu futuro continua por definir, a três meses de terminar a sua autorização para produzir eletricidade.

O prazo de vigência do Contrato de Aquisição de Energia (CAE), e a licença de produção, da central a gás natural da Tapada do Outeiro, em Gondomar, distrito do Porto, está a chegar ao fim.

O contrato da central com 1 gigawatt termina no final de março, a pouco mais de três meses. Pelo meio, as eleições antecipadas a 10 de março. A compor o ramalhete, um Governo em gestão.

A 5 de julho deste ano, o então diretor-geral de Energia anunciou que o concurso seria lançado pelo Governo o “mais rapidamente possível”.

Entretanto, João Bernardo já deixou a liderança da Direção-Geral de Energia (DGEG) depois da polémica com a ‘vaquinha’ lançada por si para comprar um carro usado perante a degradação do parque automóvel do organismo.

Já o concurso continua por lançar. Questionado pelo Jornal Económico, o ministério do Ambiente e da Ação Climática (MAAC) não respondeu às questões colocadas acerca data de lançamento do concurso, nem sobre o seu formato, nem o que aconteceria se o prazo do CAE terminar sem a central ter novo dono.

O JE questionou a Turbogás – detida pela TrustEnergy, consórcio detido pelos franceses da Engie e os japoneses da Marubeni –  que disse não ter “conhecimento oficial da evolução desse processo”.

No entanto, a companhia disse estar interessada em participar no concurso quando for lançado. “A Turbogás, como empresa responsável pela atual concessão da Tapada do Outeiro, e conhecedora da infraestrutura, da sua operação e gestão otimizada, e da sua importância para a segurança do sistema elétrico nacional, está interessada em participar no concurso”, disse fonte oficial da empresa ao JE.

“Confirmamos ainda que, no âmbito da legislação aplicável, a Turbogás estará sempre disponível para analisar os desenvolvimentos futuros sobre o prolongamento da atividade da Central da Tapada do Outeiro e colaborar numa solução, que possa garantir a sua continuidade enquanto peça determinante na segurança da Rede Nacional e dos serviços de sistema que esta necessita”, acrescenta a fonte da companhia.

Recorde-se que João Bernardo da DGEG disse em julho ao “Jornal de Negócios” que estaria previsto um “plano de hibridização com energia solar ou eólica, além do gás natural”. E mais: “A partir de determinada altura será também necessário descarbonizar a central e começar a trabalhar com gases renováveis, como o hidrogénio e o biometano”.

Questionada sobre esta intenção do Governo, a Turbogás disse aguardar pelo lançamento do procedimento para analisar o documento. “Relativamente à questão do plano de hibridização e descarbonização da central, pensamos que esta matéria será devidamente enquadrada no processo de concurso que, como é do conhecimento público, virá a ser lançado oportunamente. A Turbogás irá estar atenta às regras do concurso e responder da melhor forma”.

Quando terminar o CAE, a central com 1 gigawatt de potência já contará com 27 anos de vida. Em novembro de 2022, o ministro do Ambiente anunciou o lançamento do concurso em 2023, afirmou, citado pela “Lusa”. Na altura, o “Público” noticiou que Duarte Cordeiro garantiu o funcionamento da central a gás até 2030.

Na ocasião, o diretor-geral da Turbogás Perfeito Isabel disse que a central reunia as condições técnicas necessárias à implementação de novas tecnologias, como o hidrogénio verde.

Analisando a importância da central para o sistema elétrico português, o especialista em energia António Sá da Costa considera que a mesma é “relevante” e deveria manter-se como “reserva”, disse ao JE.

Contudo, destaca que é a “central menos eficiente que temos”, por ser a “mais antiga”.

Sá da Costa deixa críticas ao poder político pelo atraso no processo: “não há uma política energética traçada. Não há orientações. Para coisas de carácter técnico, metem políticos a gerir a questão. Depois os diretores-gerais, não há um espírito técnico atrás daquilo”.

Este é o segundo grande projeto industrial da TrustEnergy cuja licença chega ao fim. No final de 2021, a central a carvão do Pego, Abrantes, distrito de Santarém, fechou portas. O concurso lançado pelo Governo para dar nova vida à central terminou numa guerra fraticida entre os dois antigos acionistas: os espanhóis da Endesa e o consórcio nipónico-gaulês da TrustEnergy.

A TrustEnergy conta com a segunda maior potência instalada em Portugal e é a quarta maior operador eólica, a TrustWind.

A Trustenergy também detém 50% da central a gás natural do Pego, a Elecgas com 840 megawatts, com os outros 50% a serem detidos pela Endesa. As duas empresas também eram sócias na central a carvão do Pego, mas a Endesa venceu o concurso para explorar o ponto de ligação que pertencia a esta central.

Em julho de 2022, o “Eco” noticiou que a Trustenergy estava a preparar para desenvolver um projeto de hidrogénio de 100 milhões de euros para implementar na zona da Tapada do Outeiro, mas o projeto aguardava por uma decisão sobre o futuro deste ponto de ligação: se continuaria nas mãos do consórcio ou se seria lançado um concurso.

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