Trump discursa pela pátria, contra o comunismo, a esquerda e o Partido Democrata

Começou pela exaltação patriótica, prometendo o início da “era dourada” da América, usando termos como “esperança”, “promessa”, “luz” e “glória”, e terminou no registo dos seus comícios, alertando para a ameaça do comunismo – o que tem sido recorrente – e da esquerda radical, insistindo na fraude eleitoral, e alertando para a necessidade de investimento militar.

Trump discursa pela pátria, contra o comunismo, a esquerda e o Partido Democrata
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Foi o discurso de celebração do 250.º aniversário da independência dos Estados Unidos, mas podia ter sido a intervenção final numa campanha eleitoral, o que o presidente norte-americano, Donald Trump, fez na noite de sábado, 4 de julho, no National Mall, o parque nacional no centro de Washington.

Começou pela exaltação patriótica, prometendo o início da “era dourada” da América, usando termos como “esperança”, “promessa”, “luz” e “glória”, e terminou no registo dos seus comícios, alertando para a ameaça do comunismo – o que tem sido recorrente – e da esquerda radical, insistindo na fraude eleitoral, e alertando para a necessidade de investimento militar.

A intervenção foi adiada por uma tempestade que obrigou à retirada de milhares de pessoas do recinto. A multidão que regressou ao parque fronteiro ao Lincoln Memorial, depois de horas de calor e da evacuação forçada, foi apresentada como prova de resistência nacional.

As celebrações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos ficaram marcadas por condições meteorológicas extremas que obrigaram ao cancelamento ou adiamento de eventos em várias cidades da Costa Leste.

Trump abriu com o tom de uma celebração imperial. Falou de conquistas “inigualáveis”, de “potencial ilimitado” e de uma nova “era dourada da América”. A história nacional foi apresentada como sequência de vitórias: independência, aviação, guerras mundiais, conquista espacial e capacidade militar. Veteranos, famílias de militares, astronautas e bandeiras históricas deram solenidade institucional a uma intervenção que depressa entrou em terreno partidário, quando o presidente passou da memória nacional para as ameaças internas.

O comunismo foi tratado como inimigo principal, não como conceito histórico, mas como arma de campanha contra os candidatos do Partido Democrata que ganharam força nas primárias para as intercalares. “Não queremos comunistas no nosso país”, afirmou.

Mas o comunismo não foi a única ameaça convocada. Trump falou, de novo, da fraude eleitoral; apontou a esquerda radical como risco para a ordem constitucional; sugeriu uma ofensiva contra os símbolos nacionais e contra a leitura heroica da história americana; defendeu a Segunda Emenda constitucional, que garante o porte de armas, como trincheira de liberdade; e associou poder militar, fronteiras e superioridade tecnológica à sobrevivência dos Estados Unidos. Ainda aproveitou para promover a Lei SAVE America, que endurece os requisitos de identificação e prova de cidadania para votar em eleições federais e limita o voto por correspondência.

Também identificou ameaças nas universidades, movimentos progressistas, voto por correspondência e perda de orgulho nacional.

Normalmente, os presidentes norte-americanos procuram fazer no 4 de Julho um toque a reunir, mas não Trump, que está preocupado com as eleições intercalares de 3 de novembro.

O enquadramento partidário não estava apenas nas palavras. A celebração em Washington foi organizada sob a marca Freedom 250, alinhada com a Casa Branca, substituindo na prática a lógica bipartidária da America250, criada pelo Congresso. A escolha do cantor country Lee Greenwood e da canção “God Bless the USA”, uma constante nos comícios de Trump, reforçou a estética de campanha.

Na véspera, sexta-feira, Donald Trump esteve no Monte Rushmore, onde estão esculpidas as caras de George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln, destacados presidentes da história do país. Antes da visita, Trump publicou uma imagem com a sua figura no Rushmore, com a Casa Branca a dizer, na sua conta, que não haveria “melhor adição” do que o 45.º e 47.º presidente, ele próprio.

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