Três ex-CEOs do Credit Suisse acusados de assumirem riscos excessivos

Os lesados detentores de títulos de dívida do Credit Suisse não se conformam de terem visto os seus ativos desaparecerem de um momento para o outro, por decisão do regulador. E querem encontrar os culpados da falência do banco.

Três ex-CEOs do Credit Suisse acusados de assumirem riscos excessivos
Justin Lane/EPA via Lusa

Um grupo de ‘lesados’ da falência do Credit Suisse, neste caso detentores de títulos de dívida, entrou com uma ação coletiva na qual acusam ex-executivos do banco suíço, incluindo três ex-CEO, de serem responsáveis pela queda do banco. O processo foi aberto num tribunal de Nova Iorque na passada terça-feira acusa os ex-CEO Thomas Gottstein, Tidjane Thiam e Brady Dougan e vários outros executivos de fazerem negociações excessivamente arriscadas para obterem altos retornos e os consequentes bónus de curto prazo.

“Os diretores e CEO do Credit Suisse e a cultura podre que incutiram e fomentaram destruíram a confiança no banco, o que levou ao seu colapso”, diz o processo, citado por vários jornais. O processo também acusa os executivos de “criarem e perpetuarem uma cultura no Credit Suisse que colocava lucros, assunção excessiva de riscos e auto-negociação acima de uma boa gestão de risco e do cumprimento da lei”.

Como parte da aquisição do banco em colapso pelo seu antigo rival UBS em março, o regulador da Suíça decidiu tornar sem valor cerca de 18 mil milhões de dólares da dívida adicional de nível 1 (AT1) do Credit Suisse, o que viria na altura a surpreender os mercados.

O acordo ‘enterrou’ uma prática há muito estabelecida de dar prioridade aos detentores de títulos sobre os acionistas a quando de uma recuperação de dívida, desencadeando centenas de ações judiciais.

No mês passado, o Tribunal Administrativo Federal da Suíça disse que recebeu 230 reclamações contra o regulador financeiro do país, o FINMA, depois de aquela entidade anular o valor dos títulos AT1 do Credit Suisse.

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